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“A resiliência de África dependerá, cada vez mais, da força da sua própria integração” João Lourenço

Teresa Fukiady
5/10/2026
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João Lourenço aponta a interligação das economias, a expansão do comércio intra-africano e o reforço da capacidade produtiva como condições para aumentar a autonomia económica do continente.

O Presidente da República, João Lourenço, defendeu uma maior mobilização de recursos financeiros africanos para financiar o desenvolvimento do continente e reduzir a dependência do financiamento externo.

“O contexto internacional tornou-se mais complexo e imprevisível, o financiamento do desenvolvimento encontra-se sob pressão, a competição geopolítica intensificou-se e as nossas economias estão cada vez mais expostas a choques externos que afectam o comércio, a energia, a segurança alimentar e as finanças públicas de cada uma das nossas nações” afirmou o Chefe de Estado angolano no domingo, 4, durante a reunião dos Países Fundadores da Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD), realizada no Egipto.

“Diante dessa realidade, só nos resta concluir que a resiliência de África dependerá, cada vez mais, da força da sua própria integração” acrescentou João Lourenço ao apontar a interligação das economias, a expansão do comércio intra-africano, a construção de infra-estruturas regionais e o reforço da capacidade produtiva como condições para aumentar a autonomia económica do continente.

No âmbito da presidência angolana do Comité de Orientação dos Chefes de Estado e de Governo da AUDA-NEPAD, João Lourenço destacou a mobilização de 43,9 mil milhões USD na Cimeira de Luanda sobre o Financiamento para o Desenvolvimento de Infra-estruturas em África, para projectos nos sectores dos transportes, energia, água e infra-estruturas digitais. 

O Presidente angolano adiantou ainda que a Aliança das Instituições Financeiras Multilaterais Africanas (AAMFI) comprometeu 1,5 mil milhões de dólares, incluindo 100 milhões de dólares para a preparação de projectos.

“Devemos referir, igualmente, que a Plataforma de Garantia de Infra-estruturas pretende atingir os 10 mil milhões de dólares até 2030, com o objectivo de aumentar a participação do sector privado de 10 para 25% a fim de se proteger os investidores dos riscos existentes quando pretendam colocar o seu capital ao serviço do desenvolvimento de infra-estruturas no nosso continente”, destacou. “Neste mesmo âmbito, foi ainda mobilizado financiamento adicional por via da empresa CATA Energy, que comprometeu USD 500 milhões em co-investimento”, avançou.

Angola lançou, por sua vez, um Mecanismo de Financiamento de Exportação e Comércio de mil milhões de dólares, em parceria com o Trade and Development Bank (TDB) e o Fundo Soberano de Angola (FSDEA).

No âmbito da Zona de Comércio Livre Continental Africana, o Presidente destacou ainda uma carteira de mais de 300 projectos regionais, avaliados em cerca de 500 mil milhões USD, desenvolvida pela AUDA-NEPAD em articulação com as oito Comunidades Económicas Regionais.

No domínio da integração comercial, João Lourenço destacou a Zona de Comércio Livre Continental Africana, que abrange um mercado de cerca de 1,4 mil milhões de pessoas e tem potencial para aumentar o comércio intra-africano em 52% até 2035. A concretização desse potencial, segundo o Presidente angolano, exige investimentos em estradas, caminhos-de-ferro, energia, conectividade digital e cadeias de valor regionais. 

Apesar dos avanços, o Presidente alertou que os quadros políticos e jurídicos de integração estão a avançar mais rapidamente do que os fluxos comerciais e as transacções económicas efectivas. Para João Lourenço, o sucesso da Agenda 2063 deve ser medido pelos resultados concretos para os cidadãos e não pelo número de estratégias ou compromissos adoptados. Defendeu, por isso, a aceleração da execução do Segundo Plano Decenal de Implementação da Agenda 2063 e o reforço das Comunidades Económicas Regionais como instrumentos de implementação e mobilização de recursos africanos.

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