O fortalecimento do empresariado local, a transição ambiental e a expansão para mercados regionais estão entre os principais desafios do sector energético nacional. A constatação foi apresentada durante a segunda edição do Angola Energy Leaders Summit (AELS 2026), realizado recentemente em Luanda.
Durante o evento, os especialistas apelaram para a necessidade premente de capacitar as empresas locais através do reforço do financiamento, de competências e de tecnologia. Em paralelo, a gestão de resíduos e a sustentabilidade ambiental foram considerados como ecossistemas promissores para novos negócios.
O encontro, que reuniu mais de 250 executivos de topo, investidores e representantes governamentais, serviu ainda para analisar as perspectivas de estabilização dos preços do crude nos próximos meses, num contexto marcado pela instabilidade geopolítica global.
Ao tomar a palavra, Andra Vanatoru, Directora Nacional da The Energy Year, destacou o papel do encontro na “dinamização conjunta dos sectores petrolífero e energético, através da criação de uma plataforma de diálogo entre os principais decisores, capaz de promover novas ligações empresariais e oportunidades de investimento em Angola”.

Por sua vez, Alcides Andrade, Administrador Executivo da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), salientou que o regresso e a entrada de novas multinacionais e o reforço dos investimentos das empresas que já operam em Angola demonstram que estas acreditam no País, nas reformas em curso e nas oportunidades do sector energético.

Assinalou que desde 2022, tem-se registado um crescimento no investimento, actualmente próximo dos 15 mil milhões de dólares anuais. “Estamos, por isso, confiantes de que conseguiremos manter a produção acima de um milhão de barris de petróleo por dia nos próximos anos”, afirmou.
AELS 2026, uma iniciativa da The Energy Year e a ANPG, incluiu também um conjunto de debates sobre temas estratégicos e emergentes do sector, com destaque para a viabilidade de novos projectos energéticos; o aproveitamento de infra-estruturas e de parcerias estratégicas; assim como a estabilidade contratual, o acesso ao financiamento e a internacionalização para mercados como Namíbia e Moçambique — com desenvolvimento de tecnologia própria — como factores cruciais para o crescimento do sector.
A cimeira foi marcada pelo lançamento do relatório The Energy Year Angola 2026, que traz entrevistas e análises de projectos de grande porte como Kaminho, a refinaria de Cabinda e a hidroeléctrica de Caculo Cabaça, além da entrega dos prémios "The Energy Year", que distinguiram várias empresas do sector. O encerramento contou com o anúncio da criação do Energy Club, uma iniciativa voltada para executivos do Médio Oriente e África.















