As associações de agências de viagens e turismo acusam a TAAG de restringir, sem uma justificação clara, o acesso à comercialização de bilhetes na rota Luanda-Cabinda, uma medida que, segundo o sector, está a afectar o negócio das empresas, a reputação dos agentes e a capacidade de resposta aos passageiros.
A contestação surge na sequência da decisão da companhia de bandeira de assegurar, desde 15 de Setembro, a venda exclusiva de bilhetes para a ligação Luanda-Cabinda-Luanda. Segundo a TAAG, a medida visa repor a normalidade e reforçar o controlo e a transparência no processo de comercialização.
Em conferência de imprensa, a directora da Associação das Agências de Viagens de Angola (AAVA), Renata Opa, que falou também em representação da Associação das Agências de Viagens e Operadores Turísticos de Angola (AAVOTA) e da Associação Angolana dos Agentes de Viagens (AAAV), que reúnem cerca de 450 agências em todo o país, rejeitou que os operadores sejam responsáveis pela especulação de preços.
A responsável defende que as agências não controlam a disponibilidade nem as tarifas dos bilhetes, uma vez que o sistema de reservas é gerido pela TAAG. “As agências não fabricam lugares. É a companhia que gere a oferta e decide quantos lugares disponibiliza, em que voos e a que preço”, afirma.
Outro ponto levantado durante a conferência de imprensa, prende-se com a alegada existência de 9.800 lugares ainda disponíveis na rota até ao final do ano. O sector questiona onde estão esses lugares, numa altura em que os passageiros continuam a enfrentar dificuldades para encontrar bilhetes.
A indisponibilidade de bilhetes nos canais nacionais está a obrigar algumas instituições a recorrer a operadores externos para garantir deslocações, com custos que, segundo as associações, podem chegar a ser 100 vezes superiores.
“Os mesmos voos que não têm disponibilidade em Angola continuam à venda em canais no estrangeiro, a cerca de 282 euros (mais de 290 mil kwanzas) em classe económica e 540 euros (mais de 550 mil kwanzas) em executiva”, denuncia. “Se a venda a partir do exterior continua possível, por que razão foi afastada a intermediação angolana”, questionam.
As associações reconhecem que não dispõem, neste momento, de dados consolidados sobre os prejuízos provocados pela medida. Contudo, defendem que o impacto económico pode ser significativo.
As três organizações propõem às entidades competentes a criação de uma comissão de trabalho que reúna as instituições públicas, a TAAG e as associações, com o objectivo de “apurar os factos com rigor e encontrar soluções justas e sustentáveis”.
Segundo Renata Opa, a ausência de distinção entre os operadores está a colocar em causa a reputação de todo o sector. “Não pedimos privilégios. Pedimos justiça, transparência e respeito”.
















