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Alterações climáticas podem custar a Angola até 6% do PIB em 2050

Teresa Fukiady
21/10/2026
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Foto:
Andrade Lino

Sem medidas de adaptação, os riscos climáticos poderão comprometer o crescimento da economia angolana, alerta a PwC.

As alterações climáticas poderão reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) de Angola entre 3% e 6% até 2050, caso não sejam adoptadas medidas de adaptação aos riscos climáticos. O alerta foi feito pela directora da PwC, Alexandra Moutinho, durante a VI Conferência E&M Ambiente e Desenvolvimento, com base em estudos do Banco Mundial e da própria consultora.

A nível continental, os impactos físicos das alterações climáticas poderão reduzir a economia africana em mais de 12% até 2035, segundo os dados apresentados pela responsável, que alertou para os riscos económicos associados à exposição climática.

Na prelecção ‘Da informação ESG à decisão: sustentabilidade, governance e financiamento como motores de criação de valor na economia angolana’, apresentada em conjunto com Cláudia Coelho, Partner da PwC, a consultora abordou também as oportunidades de negócio resultantes da reconfiguração da economia africana. As receitas com potencial de transferência entre empresas no continente rondaram os 150,5 mil milhões de dólares em 2025, de acordo com os números apresentados.

“Em Angola, a agenda ESG está ligada à resiliência, à diversificação e ao investimento”, mostra a prelecção, referindo-se à importância dos critérios ambientais, sociais e de governance para a transformação económica do país.

Segundo a consultora, Angola “não parte do zero”, tendo em conta que dispõe de instrumentos para avançar nesta agenda, entre os quais, o Plano de Desenvolvimento Nacional 2023-2027, a Estratégia Nacional para as Alterações Climáticas 2022-2035, a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC 3.0), para o período 2025-2035, e o Quadro Operacional para o Financiamento Sustentável. “O desafio está agora na execução, isto é, em transformar compromissos em políticas, projectos e resultados mensuráveis”, sublinha.

No sector financeiro, a PwC destaca o compromisso de 15 bancos com a sustentabilidade, a primeira oferta pública de obrigações sustentáveis em Angola e os 57,5 mil milhões de kwanzas mobilizados pelo Banco Angolano de Investimentos (BAI). A consultora aponta ainda a exigência de reporte anual às instituições financeiras e a publicação de indicadores mínimos nos respectivos sites institucionais. “Angola começa a passar do enquadramento à implementação”, assegura.

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