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Angola não regista progressos no combate à fome há oito anos e continua entre os piores no Índice Global

Teresa Fukiady
14/10/2026
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DR

Angola consta entre 21 países com piores desempenho no Índice Global da Fome de 2026. Apesar de subir nove posições no ranking, três dos quatro indicadores de fome agravaram-se nos últimos oito anos.

Angola não regista progressos consistentes no Índice Global da Fome (IGF) desde 2018. De acordo com o IGF, a pontuação do país passou de 24,0, em 2018, para 24,3 (mais 0,3 pontos), em 2026 o que indica um ligeiro agravamento e mantém Angola no grupo de países onde a fome é considerada séria.

No ranking de 2026, consultado pela E&M, Angola ocupa o 102.º lugar entre 122 países com dados suficientes para o cálculo do índice, empatada com o Benim. Embora o país tenha subido nove posições face à edição de 2025, quando ocupava o 111.º lugar (com 29,7 pontos) entre 123 países, Angola consta entre os 21 países com pior desempenho a nível mundial. 

Em 2026, de acordo com o documento, alguns indicadores registaram melhorias face à edição anterior. A subnutrição na população caiu para 17,4%, contra 22,5% em 2025. Em termos absolutos, o número de pessoas subnutridas no país baixou para 6,4 milhões, face aos mais de oito milhões registados em 2025. O atraso no crescimento infantil recuou de 47,7% para 39,9%. O indicador mede a baixa estatura para a idade e reflecte, entre outros factores, os efeitos da desnutrição crónica. No país, quatro em cada 10 crianças menores de cinco anos continuam afectadas por este problema.

O relatório indica que a percentagem de crianças que morrem antes de completar os cinco anos diminuiu, de 6,7% para 4,9%. Em termos simples, por cada 100 crianças, a proporção estimada de mortes antes dos cinco anos passou de cerca de 7 para 5.

Em contrapartida, a percentagem de crianças com menos de cinco anos que sofrem de desnutrição aguda aumentou ligeiramente, de 5,1%, em 2025 para 5,2%, no índice de 2026.

No IGF 2026, Angola consta entre os 36 países onde a fome é considerada grave ou séria. 

Em comparação ao IGF 2018, três dos quatro indicadores agravaram-se, aponta o estudo. A subnutrição passou de 15,9% para 17,4% da população, enquanto o atraso no crescimento infantil aumentou de 39,1% para 39,9%. Já a desnutrição aguda infantil subiu de 4,9% para 5,2%. A mortalidade infantil é o único indicador que melhorou, ao recuar de 5,6% para 4,9%.

No IGF 2026, a pontuação de Angola é inferior à média da África Subsaariana, de 27,5 pontos, mas superior à média mundial, de 18,1. Em África, 14 países estão piores que Angola, entre eles Benin, Malawi, Quénia, Moçambique, Serra Leoa, Zâmbia, Libéria, República Centro Africana, Níger, Nigéria, Madagáscar, Chade, República Democrática do Congo e Somália, que é o pior classificado a nível global.

Entre os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) com pontuação disponível, Angola tem o segundo pior desempenho, só superado por Moçambique, no 107.º lugar, com 25,9 pontos. Cabo Verde tem o melhor registo, no 38.º lugar, com 6,9 pontos, seguido da Guiné-Bissau, no 99.º, com 23,9. 

No global, indica o relatório “Não há segurança sem segurança alimentar”, no mundo três dos quatro indicadores que compõem o índice pioraram desde 2018: a subnutrição , o atraso no crescimento infantil e a desnutrição aguda infantil foram registados com mais frequência. Apenas a mortalidade infantil, continuou a diminuir ligeiramente. Em 32 países , a fome aumentou novamente desde 2018 . 

Em 8 países, o IGF classifica a situação de segurança alimentar como alarmante : Burundi, Chade, República Democrática do Congo, Madagascar, Somália, Sudão do Sul, Sudão e Iêmen.  

Divulgado pela Welthungerhilfe, pela Concern Worldwide e pelo Instituto de Direito Internacional da Paz e dos Conflitos Armados (IFHV), o IGF mede a fome global e é calculado com base em quatro indicadores: subnutrição na população, atraso no crescimento infantil, desnutrição aguda infantil e mortalidade de crianças menores de cinco anos. A pontuação é baseada numa escala de 100 pontos em que 0 é a melhor pontuação possível, sem fome, e 100 a pior. 

O relatório anual recorre a dados de organismos como a FAO, a OMS, a UNICEF e o Banco Mundial. Em 2026 foram avaliados 136 países, mas só 122 reuniam informação suficiente para o cálculo das pontuações.