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Angola Oil & Gas: Sector espera investimentos acima de 70 mil milhões USD em cinco anos

Victória Maviluka
9/9/2026
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Foto:
DR

País está a finalizar a Estratégia de Produção de Hidrocarbonetos até 2050, que contempla um plano de atribuição de concessões através de processo mais transparente e eficiente.

O sector de hidrocarbonetos em Angola deve registar um volume de investimento superior a 70 mil milhões de dólares nos próximos cinco anos, abrangendo actividades de exploração, produção de gás e infra-estruturas energéticas, informou Artur Custódio, administrador Executivo da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG).

Ao intervir nesta quarta-feira, 09, em Luanda, na cerimónia de abertura do Angola Oil & Gas (AOG), o gestor anunciou que, neste momento, as autoridades angolanas estão a finalizar a Estratégia de Produção de Hidrocarbonetos 2050, que contempla um plano de atribuição de concessões através de processo mais transparente e eficiente.

“Sabemos que o mundo mudou: o capital tornou-se mais selectivo;  a competição entre as jurisdições petrolíferas aumentou e os investidores avaliam hoje com, particular atenção, não apenas no potencial geológico, mas também na estabilidade contratual, previsibilidade fiscal, eficiência institucional e o tempo necessário para transformar uma oportunidade num projecto economicamente viável”, observou.

Artur Custódio salientou que os incentivos para os operadores do segmento devem ser concebidos para gerar resultados: mais pesquisas, mais perfuração, mais descobertas, mais envolvimento e consequentemente mais produção.

“O nosso objectivo não é apenas atribuir blocos; é transformar blocos em investimento, e investimento em descobertas, e descobertas em produção”, elucidou o administrador Executivo do órgão vocacionado para gerir e conceder direitos de prospecção, pesquisa e exploração de petróleo, gás e biocombustíveis no País.

Referiu que o offshore angolano representa uma nova fronteira de oportunidades e os trabalhos desenvolvidos nas bacias interiores reforçam o conhecimento sobre regiões ainda pouco exploradas e permitem olhar para o território nacional com uma perspectiva geológica mais ampla.

“Continuaremos a assegurar uma oferta permanente de oportunidades petrolíferas, sendo que já não iremos depender exclusivamente de ciclos espaçados de licitações. A ANPG está a trabalhar em modelos que nos tornem mais eficientes no mercado global em que diferentes países disputam o mesmo capital”, assegurou.

Assinalou que o tempo se tornou um factor de competitividade, obrigando à simplificação de procedimentos, à redução dos períodos de negociação, à aceleração da tomada de decisões, sem que isso comprometa o rigor que se impõe.  

Artur Custódio afirmou, durante o primeiro de dois dias do AOG, que os recursos de gás devem ser progressivamente monetizados não apenas como complemento da produção petrolífera, mas “como uma verdadeira revolução industrial”, estando, de forma particular, ao serviço da diversificação da economia. 

“O verdadeiro sucesso da indústria petrolífera não pode ser medido exclusivamente pelo número de barris ou pelas receitas arrecadadas; tem igualmente de ser medido pelo conhecimento transferido pelas empresas qualificadas, pelas empresas angolanas que entram em crescimento na cadeia de valor pela capacidade tecnológica e empresarial”, realçou.