A descarbonização da indústria petrolífera já não é apenas uma exigência ambiental. É também um desafio de investimento, competitividade e acesso a financiamento. Esta foi uma das mensagens centrais de Nascimento da Costa Alexandre Soares, secretário de Estado para a Acção Climática e Desenvolvimento Sustentável, na abertura da VI Conferência E&M Ambiente e Desenvolvimento, que se realiza na capital angolana.
Para o governante, transformar a economia exige mais do que compromissos e planos. É necessário mobilizar recursos para financiar projectos concretos, capazes de conciliar a redução das emissões com a continuidade da actividade económica. “A transformação estrutural da economia exige o financiamento adequado”, afirmou.
O desafio, disse na conferência que decorre nesta quarta-feira, 21, sob o lema ‘Cadeia de Valor do Oil & Gas e a Transição Energética em Angola’, passa por aproximar o Estado, as empresas petrolíferas, os bancos, os investidores e os parceiros de desenvolvimento. O objectivo é converter prioridades ambientais em iniciativas viáveis, com metas mensuráveis e resultados verificáveis.

“A mobilização de financiamento é fundamental para apoiar iniciativas que permitam reduzir as emissões, melhorar a eficiência e a utilização dos recursos e promover soluções sustentáveis sem comprometer o crescimento económico”, sublinhou.
A credibilidade da informação ambiental, social e de governação assume, neste contexto, um papel decisivo. Segundo Soares, a transparência e a qualidade dos dados ajudam a avaliar riscos, reforçar a confiança dos investidores e abrir caminho a novas fontes de capital. A sustentabilidade deixou, assim, de ser apenas uma questão ambiental para influenciar a competitividade das empresas e das economias.
Na indústria petrolífera, uma das prioridades é reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, em particular as fugas de metano. O governante destacou o trabalho desenvolvido com o sector para melhorar as práticas de gestão ambiental, controlar as emissões e prevenir incidentes, incluindo a poluição e a degradação dos recursos hídricos.
O País procura igualmente consolidar as bases regulatórias para a gestão das emissões e o desenvolvimento do mercado de carbono. A proposta de Lei de Bases de Gestão dos Gases com Efeito de Estufa, referida pelo secretário de Estado, poderá contribuir para reforçar a transparência e a credibilidade dos mecanismos de redução de emissões.
A ambição é fazer da transição energética uma oportunidade de transformação produtiva, emprego verde e diversificação económica. Para isso, defendeu Soares, é necessário passar das intenções à execução: “Importa transformar ideias em programas, programas em projectos e acções capazes de produzir resultados para o desenvolvimento e para a economia de Angola”.















