Angola melhorou a pontuação no Índice Absa de Mercados Financeiros em África de 44 para 47 pontos, mas não conseguiu sair do 25.º lugar. A classificação consta da edição de 2026 do estudo, publicada recentemente e consultada pela revista Economia & Mercado. O resultado revela avanços na capitalização bolsista, mas também fragilidades na liquidez cambial e no desenvolvimento do mercado financeiro.
O país conserva a posição de 2025, apesar de uma subida de três pontos. O principal destaque positivo foi a capitalização do mercado accionista, que cresceu mais de 200%, impulsionada pela entrada histórica do Banco de Fomento Angola (BFA) na Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA). O estudo assinala ainda a redução das taxas de juro pelo banco central e a descida da inflação homóloga de 19,7%, em Junho de 2025, para 10,1%, em Junho de 2026.
O progresso, contudo, não foi uniforme. A expansão da capitalização não se traduziu numa melhoria equivalente da liquidez. Angola também registou uma queda na pontuação relativa à liquidez cambial, um sinal de que o crescimento do mercado bolsista ainda não eliminou os constrangimentos de acesso a divisas.
A posição nacional fica igualmente atrás da República Democrática do Congo, que subiu do 27.º para o 23.º lugar, beneficiando de condições macroeconómicas favoráveis. O retrato evidencia a distância entre a evolução de alguns indicadores e a capacidade de consolidar um mercado financeiro mais profundo, líquido e acessível.
África Austral domina o topo, mas Angola continua distante.
A África do Sul lidera a classificação, com 85 pontos, contra 83 em 2025. O resultado reflecte a dimensão e a liquidez dos mercados de capitais, a diversidade de produtos financeiros e a sofisticação das infra-estruturas. As reformas nas metas de inflação e na formação de preços também contribuíram para o desempenho.
A Namíbia, outro país da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) mantém o 3.º lugar, beneficiando, entre outros avanços, da modernização das infra-estruturas do depositário central de valores mobiliários.
Entre os países lusófonos, Cabo Verde protagoniza uma das subidas mais expressivas: saltou do 19.º para o 13.º lugar, depois de regressar aos mercados internacionais. Angola permanece na 25.ª posição, enquanto Moçambique recuou quatro lugares, do 22.º para o 26.º, apesar de se ter tornado membro da Federação Mundial de Bolsas de Valores. A República Democrática do Congo, por sua vez, subiu ao 23.º lugar.
O quadro evidencia uma África Austral de desempenhos desiguais. Enquanto África do Sul e Namíbia consolidam posições de destaque, Angola e Moçambique continuam condicionados por limitações estruturais dos seus mercados financeiros.
Seis pilares medem a capacidade de atrair capital
Na 10ª edição , o Índice Absa de Mercados Financeiros em África analisa 29 economias, representativas de cerca de 80% da população e do Produto Interno Bruto do continente. A avaliação abrange seis pilares: profundidade do mercado, acesso a divisas, transparência, desenvolvimento dos fundos de pensões, ambiente macroeconómico e enquadramento jurídico, fiscal e regulatório.
A edição deste ano introduz uma metodologia baseada em limites de referência fixos, substituindo a comparação relativa entre países. A pontuação geral resulta da média simples dos seis pilares, com indicadores ajustados a uma escala padronizada de 10 a 100. O objectivo é avaliar o progresso de cada mercado e identificar obstáculos à mobilização de investimento.
A análise combina dados públicos e avaliações qualitativas e quantitativas. O estudo consultou mais de 40 instituições africanas, incluindo bancos centrais, bolsas de valores, reguladores e participantes do mercado. Angola não integra o grupo de entidades que forneceram informação directa para o inquérito, embora o país seja avaliado com base nos dados disponíveis.
O índice é desenvolvido pelo Absa Group Limited, grupo financeiro cotado na Bolsa de Joanesburgo, com operações bancárias, de investimento, gestão de património e seguros em vários mercados africanos. A componente de investigação cabe ao Official Monetary and Financial Institutions Forum (OMFIF), think tank independente especializado em bancos centrais, política económica e investimento público. A iniciativa conta com o apoio da Comissão Económica das Nações Unidas para África.















