A banca angolana rejeita a tese de um "novo papel" na economia e reitera a missão clássica de financiar as famílias e as empresas, mas adverte que a expansão do crédito continua travada pela escassez de dados auditados, pelas restrições de liquidez e por entraves no imobiliário. A convergência de posições marcou o debate promovido pela Matemática Financeira Group sob o tema “O Novo Papel da Banca na Economia Angolana”, onde os líderes do sector alinharam o diagnóstico e apontaram caminhos para a dinamização do mercado.
O presidente do Conselho de Administração do Banco Caixa Geral Angola, Patrício Vilar, reafirmou que a função primordial das instituições financeiras permanece inalterada. O gestor explicou que a dinâmica do crédito depende do grau de centralização da economia no Estado, sublinhando que a crise de 2014 e a depreciação do kwanza forçaram a transição para a produção nacional. Na vertente operacional, colocou o capital humano no centro do rigor técnico e apontou a ausência de informação financeira sistematizada e o peso do financiamento público como as maiores barreiras ao sector.
Paralelamente, o CEO do Access Bank Angola, Ricardo Ferreira, sustentou que o mercado nacional dispõe de potencial para duplicar de tamanho, passando dos actuais 27 mil milhões USD em activos para 54 mil milhões USD. Para alcançar esta meta, defendeu a urgência de mitigar o efeito crowding out, reforçar a segurança jurídica na recuperação de crédito e impulsionar o segmento imobiliário, lamentando que o crédito à habitação continue incipiente no país devido a atrasos na estruturação do cadastro predial e na constituição de hipotecas.
O executivo destacou ainda a reconfiguração do mapa financeiro no continente, salientando que o recuo de gigantes internacionais — a exemplo do encerramento de operações do HSBC na África do Sul — abre espaço estratégico para bancos de matriz africana integrados em redes globais como Londres, Paris e Dubai. O gestor reiterou a confiança como o pilar do progresso e defendeu uma aposta vincada na capacitação do potencial humano para sustentar o crescimento bancário.
No mesmo painel, o director Corporate do African Bank of Oman, Elvino Mulumba, defendeu a simplicidade operacional, o regresso dos sindicatos bancários e a criação de plataformas digitais integradas como alavancas essenciais para o sector. O responsável frisou que a banca dispõe de produtos adequados que exigem apenas execução prática através de modelos de efectivo co-financiamento e de uma aproximação real entre as instituições financeiras e os agentes económicos.
O gestor alertou também para os riscos associados às limitações de gestão e ao défice de literacia financeira dos promotores de projectos, factores que conduzem frequentemente ao fracasso de operações bem estruturadas. De modo a mitigar estas falhas e assegurar a sustentabilidade do crédito a médio e longo prazo, a instituição assumiu o compromisso de disponibilizar um serviço dedicado de assessoria financeira para garantir o acompanhamento técnico contínuo aos empreendimentos.









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