A produção de café em Angola está a crescer, mas o sector ainda enfrenta baixa produtividade, dificuldades de financiamento e problemas de qualidade que limitam o seu potencial. A produção passou de cerca de 10.500 toneladas em 2024/2025 e deverá atingir 15 mil toneladas este ano, segundo o director-geral do Instituto Nacional do Café (INCA), Vasco Gonçalves Joaquim António.
Os indicadores, apresentados na ‘Mesa-Redonda do Café’, realizada esta semana nas instalações da Angonabeiro, em Luanda, por iniciativa do Banco de Fomento Angola (BFA), revelam uma evolução em várias frentes.
O número de produtores registados aumentou cerca de 13%, de 17 mil para 20 mil. A área estimada de produção cresceu 30%. A produção de café registou um crescimento de 38%, precisou o engenheiro.
“São números modestos”, reconheceu Vasco António, lembrando que Angola chegou a produzir mais de 200 mil toneladas no período colonial. Hoje, porém, apenas 56 mil hectares estão em exploração, apesar de o país ter potencial para chegar a dois milhões de hectares.
Na exportação, o café verde cresceu 52%, atingindo 3.288 toneladas em 2024/2025. Mas 76% do café exportado está na categoria 2 BB (escalão intermédio), sinal de que a melhoria da qualidade continua a ser um desafio.
O responsável, que apresentava os principais indicadores da produção de café em Angola, cita o Uganda como referência: “vende o seu café 30% mais caro” devido à qualidade superior alcançada nos mercados internacionais.
O sector privado também ganhou espaço. As empresas exportadoras passaram de 13 para 23, enquanto as marcas nacionais subiram de 18 para 23. Hoje, o País já contabiliza mais de 24 marcas de café, contra apenas cerca de meia dúzia há cinco ou seis anos.
O financiamento, contudo, permanece entre os principais obstáculos. Segundo Vasco António, os créditos disponíveis são sobretudo de campanha e cobrem a colheita, mas não permitem renovar plantações ou melhorar as condições de produção.
“Nós queremos que o crédito, o financiamento, seja extensivo a toda a produção”, defendeu.
O problema é particularmente relevante entre os pequenos produtores. 78% dos produtores de café são pequenos agricultores, precisamente o segmento com maiores dificuldades de acesso ao financiamento.
A baixa produtividade é outro travão. Enquanto países como Uganda, Brasil e Vietname ultrapassam os mil quilos por hectare, Angola mantém níveis muito inferiores. A dificuldade na mão-de-obra, a produção em zonas de relevo acidentado e a limitada adopção de novas tecnologias agravam os custos.
O INCA aposta, por isso, na renovação das plantações, produção de mudas, investigação e expansão da cultura. Um novo centro de produção de mudas no Quilombo (Cuanza-Norte) terá capacidade para 10 milhões de mudas.















