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Crédito Malparado: Banco Sol e Alvarez & Marsal defendem soluções para desbloquear financiamento à economia

Redacção
5/11/2026
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Foto:
DR

Libertar os balanços bancários dos activos problemáticos é o primeiro passo para devolver capacidade de financiamento aos bancos africanos, segundo o debate.

O crédito malparado continua a travar a capacidade dos bancos de financiar empresas, famílias e projectos de investimento. Para enfrentar o problema, o Banco Sol e a consultora internacional Alvarez & Marsal reuniram, esta semana, em Luanda, especialistas e líderes financeiros africanos, à margem do Africa Financial Summit (AFIS) 2026.

Sob o tema ‘Beyond Bad Loans: Restoring Bank Balance Sheets and Unlocking Credit Growth’, o encontro procurou alargar a discussão para além da recuperação de dívidas. O desafio passa por retirar dos balanços os activos problemáticos, recuperar liquidez e devolver às instituições financeiras capacidade para financiar a actividade económica.

Na abertura, Osvaldo Lemos Macaia, CEO do Banco Sol, defendeu que os empréstimos não produtivos devem ser tratados como um legado do passado, sem comprometer o futuro dos bancos. Na sua perspectiva, os recursos e a atenção das instituições não podem continuar absorvidos por problemas acumulados, em detrimento da criação de novos negócios e oportunidades de financiamento. “Os empréstimos não produtivos são passados e a principal actividade deve estar focada no futuro”, sublinhou.

António Ramalho, antigo CEO do Novo Banco, em Portugal, e actual Senior Advisor da Alvarez & Marsal, trouxe ao debate a experiência europeia de recuperação e transformação bancária. O especialista defendeu que não existe uma fórmula universal para resolver o crédito malparado. 

Disse que cada instituição exige uma abordagem ajustada à sua realidade, estrutura accionista e enquadramento regulatório. Ainda assim, transparência, decisões firmes e capacidade de execução são determinantes para recuperar activos e restabelecer a solidez financeira, espelhou.

Já Avelino Kiampuku, administrador Executivo da Recredit, colocou a prevenção no centro da resposta. A avaliação rigorosa do risco, a qualidade das garantias e o acompanhamento permanente dos devedores são fundamentais para evitar que os empréstimos se transformem em activos problemáticos. 

O responsável chamou igualmente a atenção para a morosidade dos processos judiciais, que pode desvalorizar garantias e dificultar a recuperação dos valores em dívida. Para ultrapassar estes constrangimentos, defendeu maior articulação entre equipas financeiras, jurídicas e judiciais.

Numa perspectiva continental, Admassu Tadesse, presidente e CEO do Trade and Development Bank (TDB), apontou a necessidade de desenvolver mecanismos regionais de resolução de activos problemáticos. A dimensão do desafio, considerou, exige respostas que ultrapassem a capacidade individual dos bancos e mobilizem investidores, instituições financeiras e entidades regionais.

Moderado por José Barata, presidente da Deloitte Angola, o debate reuniu diferentes experiências em torno de uma conclusão: resolver o crédito malparado não significa apenas recuperar dinheiro. Significa libertar capital, reforçar a confiança no sistema financeiro e criar espaço para novos financiamentos.

Ao promover esta reflexão, o Banco Sol e a Alvarez & Marsal colocaram em evidência um dos desafios estruturais da banca africana. Num continente que precisa de mobilizar recursos para empresas, infra-estruturas e projectos produtivos, recuperar a qualidade dos balanços bancários é também devolver ao crédito a sua função essencial: financiar o crescimento económico.