A China continua a ser o principal destino do petróleo bruto angolano, mas o seu peso nas vendas caiu quase para metade. No terceiro trimestre de 2026, o mercado chinês absorveu 36,42% do crude comercializado, contra 69,41% no segundo trimestre. Em contrapartida, a Índia passou de 10,53% para 19,99% e consolidou-se como segundo maior destino. Em volume, as compras indianas subiram de 3,2 para 7,4 milhões de barris, segundo cálculos da E&M com base nas percentagens e do volume total vendido.
De acordo com os dados apresentados por Luís Manuel, PCE da Sonangol Trading and Shipping, Outlook sobre as Exportações de Petróleo Bruto e Gás Natural, realizada nesta quinta-feira, 29, em Luanda, as ramas angolanas tiveram nove destinos externos, mais três do que no trimestre anterior.
Além da China e da Índia, o crude angolano seguiu para os Países Baixos (5,74%), a Espanha (5,72%) e a França (5,55%). Seguem-se a Nigéria (3,02%), a Indonésia (2,98%), a Bulgária (2,87%) e a Itália (2,86%). Por sua vez, o mercado interno absorveu 14,85% do crude, contra 8,95% entre Abril e Junho.
Entre Julho e Setembro foram comercializados 36.874.267 barris, mais 6,33 milhões do que no segundo trimestre. O valor bruto das vendas ficou perto de 3,4 mil milhões de dólares, um acréscimo de cerca de 410 milhões.
“O valor médio diário das vendas esteve em 400.807 barris por dia. Quando comparado com o segundo trimestre, tivemos um incremento próximo de 65.000 barris por dia”, destacou o responsável.
No período em análise, o preço médio de venda foi de 92 dólares por barril, menos cerca de 5,7 dólares do que no trimestre anterior. Do mesmo modo, o Brent médio fixou-se em cerca de 97 dólares, abaixo dos 104 do segundo trimestre.
Por entidade, a ANPG vendeu perto de 22 milhões de barris, mais cerca de 1,8 milhões, e a Sonangol cerca de 15 milhões, mais 4,6 milhões.
Quanto à repartição por entidade, a ANPG vendeu perto de 22 milhões de barris, mais cerca de 1,8 milhões que no trimestre anterior, enquanto a Sonangol colocou cerca de 15 milhões, mais 4,6 milhões, que no período de Abril a Junho.
De acordo com Luís Manuel, entre Julho e Agosto, o mercado foi marcado por pressão sobre as ramas angolanas. Por um lado, a redução das importações e das taxas de utilização das refinarias na China, aliada à preferência por ramas mais competitivas e de geografias próximas, limitou a procura por carregamentos spot da África Ocidental. Por outro, a abertura parcial do Estreito de Ormuz e o aumento do crude do Médio Oriente intensificaram a concorrência no mercado asiático. A isto somou-se o excesso de carregamentos na África Ocidental e a forte oferta de ramas brasileiras, guianesas, russas e do Médio Oriente, o que tornou os compradores mais cautelosos e piorou os diferenciais.
Entre Agosto e Setembro, porém, a tendência inverteu-se. As margens de refinação favoráveis e a melhoria dos spreads dos destilados médios impulsionaram a procura por crude leve e médio. Além disso, o agravamento dos constrangimentos à navegação em Ormuz, no Mar Vermelho e no Mar Negro reduziu a oferta e tornou as ramas da África Ocidental mais atractivas para a Ásia.
“A escassez de ramas médias para responder às necessidades do mercado, aliada ao apetite das refinarias por ramas particularmente adequadas à produção de jet A-1 e gasóleo, contribuíram para a valorização das ramas angolanas”, apontou. “A redução do spread Brent/Dubai reforçou a viabilidade da arbitragem das ramas angolanas para a Ásia, favorecendo a sua competitividade face às ramas de outras origens”, enumerou o responsável.











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