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Dangote leva investimento de 2,5 mil milhões USD à Namíbia e desenha novo corredor energético africano

Victória Maviluka
5/11/2026
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Foto:
DR

O magnata nigeriano aposta em tanques e 1.700 km de tubagem para transformar a Namíbia numa plataforma regional de armazenamento e distribuição de combustíveis.

A Namíbia prepara-se para receber um dos maiores investimentos privados na sua infra-estrutura energética. Avaliado em cerca de 2,5 mil milhões de dólares, o projecto liderado pelo empresário nigeriano Aliko Dangote promete redesenhar o abastecimento de combustíveis e abrir novas rotas comerciais na África Austral.

A iniciativa foi lançada oficialmente nesta quinta-feira, 5 de Novembro, pela Presidente namibiana, Netumbo Nandi-Ndaitwah, na Fazenda 58, em Walvis Bay. Segundo informação da Presidência da Namíbia, consultada pela revista Economia & Mercado, o empreendimento contempla uma instalação de armazenamento com capacidade para 600 milhões de litros de petróleo e uma rede de condutas com aproximadamente 1.700 quilómetros.

Mais do que uma infra-estrutura de armazenamento, a aposta pretende posicionar o país como uma porta de entrada energética e logística para os mercados do interior da África Austral, reforçando a circulação regional de combustíveis e as ligações comerciais com países sem acesso directo ao mar.

Na cerimónia, Dangote reafirmou a confiança no potencial económico da Namíbia e apresentou o investimento como parte de uma estratégia de integração produtiva do continente. «A África deve industrializar a África», declarou, defendendo que o continente dispõe de recursos, talento, mercados e capacidade empresarial para construir as infraestruturas de que necessita.

O empresário afastou a ideia de que a operação se resume à procura de rentabilidade financeira. Na sua perspectiva, investir em África significa também criar empregos, desenvolver competências locais e reinvestir nos países de acolhimento. «Sempre que entramos em outro país africano, estamos voltando para casa», afirmou.

A Presidente Netumbo Nandi-Ndaitwah, por sua vez, classificou o empreendimento como um marco para a industrialização africana e a integração económica regional. Defendeu que o verdadeiro retorno do investimento deve chegar à população, através de empregos, formação profissional e oportunidades para empresas namibianas. Para acelerar a execução, colocou o projecto sob supervisão directa do seu gabinete, procurando evitar entraves burocráticos. «Hoje falamos, e agora devemos agir», declarou.

Dangote respondeu com uma promessa de execução: «Não vamos decepcioná-los. Vamos entregar como prometido». Acrescentou que o empreendimento representa apenas o início da presença do grupo no país, deixando aberta a possibilidade de novos investimentos noutros sectores.

A dimensão da aposta namibiana ganha maior significado quando observada à luz da expansão continental do conglomerado. Na Nigéria, Dangote opera uma refinaria com capacidade de 700 mil barris por dia, que pretende ampliar para 1,4 milhões. No Quénia, iniciou a construção de uma nova refinaria de 700 mil barris diários, avaliada em 16 mil milhões de dólares.

Na Etiópia, o grupo elevou para mais de quatro mil milhões de dólares o investimento num complexo de fertilizantes, com capacidade projectada para produzir três milhões de toneladas anuais de ureia. A sua presença estende-se ainda à produção de cimento, açúcar, sal, petroquímica, energia e logística em diferentes mercados africanos.

Com uma ambição de investimento continental que foi recentemente elevada para 60 mil milhões de dólares até 2030, Dangote procura construir uma rede integrada de produção, armazenamento e distribuição. A Namíbia passa agora a ocupar uma posição estratégica nesse mapa, com Walvis Bay projectada como uma das principais portas de entrada dos combustíveis para a África Austral.

A aposta de Aliko Dangote na Namíbia surge num momento particularmente importante para o sector petrolífero do país. Depois de uma sequência de descobertas de hidrocarbonetos no offshore, sobretudo na Bacia do Orange, o país começa a preparar-se para deixar de ser apenas uma nova fronteira de exploração e transformar-se num futuro produtor de petróleo.

Entre 2021 e 2026, a Namíbia realizou 27 poços de exploração e avaliação, dos quais resultaram 14 descobertas na Bacia do Orange, segundo dados apresentados pela Comissão de Petróleo do país e divulgados pela publicação especializada Mining & Energy Namibia. Entre as principais descobertas encontram-se Venus, Mopane, Graff, La Rona, Lesedi, Jonker e Capricornus. O movimento tem atraído grandes operadores internacionais, incluindo TotalEnergies, Shell, Galp, QatarEnergy e Rhino Resources.