IFC Markets Live Quotes
Powered by
3
1
PATROCINADO

ESG trouxe as métricas. Agora precisamos de medir o que realmente mudou

Leonor Sá Machado
21/9/2026
1
2
Foto:

Durante muitos anos, a Responsabilidade Social foi avaliada sobretudo pelo que as empresas faziam e pelo valor que investiam.

O ESG veio alterar profundamente esta lógica. Trouxe indicadores, metas, reporte e uma exigência crescente de demonstrar resultados. 

Foi um avanço fundamental. Mas trouxe também uma nova pergunta: estamos a medir actividade ou estamos verdadeiramente a medir impacto? 

Podemos saber quantas pessoas participaram numa formação, quantos jovens foram abrangidos por um programa, quantas comunidades receberam uma intervenção ou quantas contas bancárias foram abertas. São indicadores importantes. Mas dizem-nos, sobretudo, o que fizemos.

A pergunta mais difícil vem depois: o que mudou? 

Em Angola, esta discussão é particularmente importante. Temos uma população muito jovem, enormes desafios de empregabilidade, inclusão financeira e qualificação, mas temos também empresas com capacidade para realizar investimentos sociais relevantes. 

Por isso, acredito que o próximo passo do ESG deve ser aprofundar a qualidade daquilo que medimos. 

Não basta contar beneficiários. Precisamos de medir transformação: a profundidade da mudança, a sua perenidade e a capacidade de uma intervenção gerar autonomia. 

Isto exige programas desenhados desde o início com objectivos mensuráveis, indicadores de partida, acompanhamento e avaliação posterior. E exige, talvez, alguma coragem para reconhecer que um número elevado de beneficiários nem sempre significa um impacto elevado. 

Medir impacto é também medir comportamento: perceber se o conhecimento foi aplicado, se criou novas oportunidades e se a mudança se manteve e multiplicou no tempo. 

O ESG ajudou-nos a passar da intenção para a evidência. Agora precisamos de dar o passo seguinte: passar da evidência da actividade para a evidência da transformação. 

Porque o verdadeiro valor do investimento social não está apenas no que conseguimos fazer enquanto um projecto decorre. 

Está naquilo que permanece depois de ele terminar.