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Falta de financiamento e altas taxas da capitania sufocam pescadores de Luanda

Amilton Victor
3/11/2026
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Foto:
DR & Amilton Victor

Apesar do aperto, o sector apresenta indicadores positivos de recuperação: desde o início de 2026, foram capturadas mais de 15 mil toneladas de pescado.

A falta de financiamento, o peso das taxas cobradas pela capitania e a falta de infraestruturas de apoio à pesca artesanal constituem as principais preocupações e obstáculos enfrentados pelos pescadores e armadores na província de Luanda. A constatação foi assumida por João Pedro, Director Provincial do Gabinete da Agricultura, Pecuária e Pescas de Luanda.

Outro grande desafio do sector prende-se com a recolha de dados estatísticos reais sobre a captura de pescado. Segundo o responsável, devido à falta de declaração regular das capturas por parte de muitos armadores e a alterações na frota decorrentes de naufrágios ou avarias não comunicadas, a contabilização exacta da actividade torna-se complexa.

“Apesar destas dificuldades, o sector apresenta indicadores positivos de recuperação e crescimento”, assinalou o gestor, quando intervinha na 2.ª Conferência Internacional Sobre Pesca e Aquicultura (CIPAS 2026), realizada recentemente em Luanda.

Desde o início de 2026, foram capturadas mais de 15 mil toneladas de pescado em Luanda, num cálculo comparativo com o exercício de 2025.

Para dar resposta às preocupações dos profissionais e melhorar a oferta no mercado, estão em curso diversas medidas, das quais se destacam a actualização do registo oficial, que aponta actualmente para cerca de 4.338 embarcações, com o arranque em breve do processo de recadastramento e novo licenciamento, assim como a instalação de equipas permanentes nos mercados da Mabunda e do Cacuaco para recolha de dados e melhoria das condições de comercialização.

A empreitada envolve também a reabilitação do Centro de Apoio à Pesca Artesanal (CAPA) da ilha de Luanda, incluindo construção de uma nova ponte-cais, que vai funcionar como uma infra-estrutura de acostagem e proporcionar melhores condições de desembarque de pescado.

Relativamente a 2027, o gabinete provincial das pescas perspectiva um aumento contínuo da produção e da oferta de pescado à mesa das famílias.

Para tal, reforça o apelo urgente para que os pescadores abandonem o uso de práticas prejudiciais, como redes de malha fina e "mosquiteiros", e sublinha que a preservação dos recursos e o respeito pelos princípios da economia azul são a única via para assegurar a sustentabilidade e o crescimento do sector a longo prazo.