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Fórum Mundial da Alimentação: “A erradicação do flagelo da fome no mundo exige respostas colectivas” - PR

Teresa Fukiady
13/10/2026
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Foto:
Arquivo e DR

João Lourenço apontou os conflitos armados, as alterações climáticas e a insuficiente capacitação das populações para desenvolver a agricultura familiar como factores que agravam a fome em África.

O Presidente da República, João Lourenço, defendeu, nesta segunda-feira, 12, em Roma, que a erradicação da fome no mundo exige respostas colectivas, investimento e cooperação internacional. Ao discursar no Fórum Mundial da Alimentação, promovido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), João Lourenço apontou os conflitos armados, as alterações climáticas e a insuficiente capacitação das populações para desenvolver a agricultura familiar como factores que  agravam a fome em África.

“África possui um enorme e vasto potencial de recursos para desenvolver uma agricultura florescente. No entanto, confronta-se com o problema da fome e da desnutrição, o que não é, a todos os títulos, aceitável”, afirmou.

Para inverter este cenário, João Lourenço defendeu políticas realistas concebidas com base nas capacidades de utilização dos meios técnicos e tecnológicos disponíveis, no melhoramento das práticas assentes sobre os conhecimentos tradicionais e na formação das pessoas a todos os níveis. 

“África tem o potencial para ser o celeiro do mundo, dispõe de abundantes terras aráveis, imensos cursos de água entre rios e grandes lagos, no geral bom clima, sol”, destacou. Para o presidente angolano, o aproveitamento desse potencial depende da capacidade de atrair investidores que assegurem financiamento, tecnologia e transferência de conhecimentos para os jovens, de modo a aumentar a produtividade, a produção e as exportações agrícolas e pecuárias.

Durante o discurso, João Lourenço, destacou o que Angola está a executar um “ambicioso” Programa de Combate aos Efeitos da Seca no Sul do país (PCESSA), que abrange as províncias do Cunene, Huíla e Namibe, orçado em 4,2 mil milhões USD. O programa contempla a construção de albufeiras para armazenar milhões de metros cúbicos de água transferida do rio Cunene e centenas de quilómetros de canais a céu aberto para servir as pessoas e desenvolver a agricultura e pecuária em qualquer estação climática do ano. João Lourenço fez saber que o PCESSA vai contribuir significativamente no combate contra a fome e a pobreza. 

Na sua intervenção, o Chefe de Estado realçou igualmente a cooperação com a FAO, que, segundo afirmou, tem contribuído para a definição de prioridades e para a aproximação entre as zonas de produção, os centros de transformação alimentar e os mercados. Entre os instrumentos de apoio ao desenvolvimento agrícola, destacou as iniciativas Hand-in-Hand e AgroCorredores, orientadas para a promoção de oportunidades de investimento, o desenvolvimento do agronegócio e o aumento da competitividade da agricultura nacional.

João Lourenço destacou também a importância do Corredor do Lobito, considerando que a infra-estrutura não tem apenas uma dimensão logística, pois pode estimular a criação de indústrias, novas cadeias regionais de valor ligando o potencial produtivo de diferentes países aos mercados regionais e internacionais.

“O Corredor do Lobito é uma plataforma de oportunidades capaz de beneficiar as populações e de contribuir para uma maior integração económica do continente, em articulação com os mecanismos africanos existentes, de que destaco a Zona de Livre Comércio Continental Africana, que representa um vasto mercado de aproximadamente 1 bilião e meio de consumidores”, explicou.

Na ocasião, João Lourenço apresentou a candidatura oficial da angolana Josefa Leonel Correia Sacko para o cargo de directora-geral da FAO. O Presidente destacou o percurso da candidata, que exerceu funções de secretária-geral da Organização Inter-Africana do Café durante três anos e foi comissária da União Africana para Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Ambiente Sustentável, entre 2017 e 2024.

“Por acreditarmos que, caso venha a assumir a responsabilidade de estar à frente dos destinos da FAO, fará um bom trabalho não apenas para o continente africano mas para a segurança alimentar à escala global, pedimos o apoio de todos para sua eleição”, frisou.

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