Em 2025, os fundos de pensões em Angola pagaram cerca de 135,7 mil milhões de kwanzas em benefícios, dos quais 88% correspondem a pensões de velhice, avançou o administrador executivo da Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG), Aldemiro Gonçalves, durante a 3.ª Conferência Economia & Mercado sobre Fundos de Pensões.
Segundo os cálculos da E&M, o valor destinado às pensões de velhice corresponde a cerca de 119,4 mil milhões de kwanzas, num ano em que os benefícios pagos pelo sector cresceram quase 15% face a 2024.
Aldemiro Gonçalves defendeu a necessidade de ampliar a cobertura destes instrumentos de poupança para a reforma, de modo a garantir que mais angolanos cheguem à reforma com dignidade.
Apesar do crescimento dos benefícios pagos, a cobertura dos fundos de pensões continua limitada. Angola terminou o ano de 2025 com 68.423 participantes, mais 4% do que no ano anterior, número que o responsável considera reduzido face à população activa do país.
De acordo com a ARSEG, o mercado contava no mesmo período com 46 fundos de pensões, dos quais apenas 11 eram fundos abertos, acessíveis a qualquer trabalhador ou cidadão, enquanto 35 estavam associados a uma empresa, empregador ou grupo profissional. A concentração também é expressiva em termos patrimoniais. Os fundos fechados concentravam 96,63% de todo o património gerido pelo sector, enquanto os fundos abertos representavam apenas 3,37%.
“Isto mostra que em Angola a poupança para a reforma continua a ser, sobretudo, um privilégio de quem trabalha nas grandes empresas, nas multinacionais e em determinadas instituições do setor público”, lamenta o responsável.
O administrador executivo da ARSEG destacou igualmente a concentração dos participantes, referindo que três entidades gestoras reuniam, em conjunto, 69% do total do mercado. Para Aldemiro Gonçalves, a expansão da poupança para a reforma exige o alargamento do acesso aos fundos e maior literacia financeira.
“Se as pessoas não compreenderem a importância dos fundos de pensões, dificilmente vão subscrever o produto”, afirmou, defendendo que a literacia financeira deve envolver o Estado, reguladores, seguradoras, sociedades gestoras, empresas e universidades.
O responsável considera ainda que existe margem para captar novos segmentos, incluindo profissionais liberais e trabalhadores que permanecem fora dos actuais mecanismos de poupança para a reforma.
A expansão dos fundos de pensões está igualmente enquadrada na agenda de inclusão financeira da ARSEG e na Estratégia Nacional de Inclusão Financeira 2025-2027, que identifica estes instrumentos como parte da resposta às vulnerabilidades de populações rurais, mulheres, jovens e trabalhadores do sector informal. “Massificar a poupança para a reforma não pode ser, por isso, uma tarefa exclusiva das entidades gestoras; é uma responsabilidade colectiva”, defendeu Aldemiro Gonçalves.
















