A necessidade de ampliar a poupança para a reforma e transformar essas reservas em capital de longo prazo está a colocar os fundos de pensões no centro do debate sobre inclusão financeira e desenvolvimento dos mercados de capitais em África, afirmou Esselina Macome, CEO da FSD Moçambique.
Para a CEO da FSD, que participou do III Fórum Fundos de Pensões, em Luanda, os fundos de pensões podem transformar contribuições individuais em capital, através de gestão profissional e reinvestimento dos rendimentos.
“Os recursos podem apoiar o financiamento do Estado e das empresas, infra-estruturas, assim como o desenvolvimento dos mercados domésticos”, disse Esselina Macome no evento que analisou formas de massificar a poupança para a reforma e adaptar os produtos financeiros à realidade dos trabalhadores.
O desafio, continuou Esselina Macome, está em alcançar uma população com diferentes níveis e formas de rendimento.
Na África Subsaariana, avançou, apenas 22,3% das pessoas acima da idade de reforma recebem uma pensão, enquanto 9,7% da força de trabalho contribui para um regime de pensões. “A informalidade e os rendimentos variáveis exigem modelos diferentes dos tradicionais”.
Quanto a Angola, sublinhou, a experiência de outros mercados africanos aponta para produtos com contribuições ajustáveis, portabilidade entre empregos e informação simples sobre a evolução da poupança.
“Os canais digitais podem reduzir barreiras de acesso e aproximar estes mecanismos de trabalhadores com rendimentos variáveis”,declarou.
De acordo ainda com a moçambicana, a tecnologia precisa deser acompanhada por confiança, transparência e educação financeira.
A expansão do sistema, considerou, depende de uma responsabilidade partilhada entre reguladores, fundos, empregadores e cidadãos.
No caso de Angola, destacou, ampliar a poupança para a reforma pode representar uma oportunidade a fim de garantir rendimento futuro e, simultaneamente, criar capital doméstico, aprofundar o mercado de capitais, assim como diversificar as fontes de financiamento da economia.
“O desafio é transformar a poupança para a reforma de uma preocupação individual numa componente relevante da arquitectura financeira e económica do País”, defendeu Esselina Macome, CEO da FSD Moçambique.
















