O dinheiro transferido pelos imigrantes a residir em Angola para os países de origem caiu 11% no primeiro trimestre de 2026, ao passar de 66 milhões USD no I trimestre de 2025 para 58,8 milhões USD, segundo cálculos do Economia & Mercado com base nos dados do Banco Nacional de Angola (BNA).
Este volume de saídas supera em 18,4 vezes os escassos 3,2 milhões USD enviados pelos emigrantes angolanos na diáspora de regresso a casa no mesmo período. Do lado das entradas o valor captado pela economia nacional registou um crescimento de 19,6% face aos 2,7 milhões USD contabilizados no I trimestre do ano anterior.
Como habitualmente, o volume de remessas enviadas pelos portugueses a trabalhar em Angola representa a quase totalidade deste valor, já que canalizaram 43,7 milhões USD para o seu país de origem, o que equivale a uma parcela de 74,4% do total das saídas no I trimestre de 2026. Os chineses surgem num distante segundo lugar com 4,5 milhões USD (7,6% do total), seguidos pelos cidadãos vietnamitas, que transferiram 1,7 milhões USD (2,9%).
Em sentido inverso, do lado do dinheiro que entra em Angola enviado pela diáspora, os emigrantes angolanos a residir em Portugal, a maior comunidade no exterior, foram os que mais contribuíram para o apoio às famílias em solo nacional, ao enviarem 0,7 milhões USD no arranque de 2026, o que corresponde a 23,1% do total captado.
Seguiram-se os cidadãos angolanos fixados nos Estados Unidos da América, com o envio de 0,6 milhões USD (17,0%), e no Reino Unido, com 0,3 milhões USD (8,4%).
Esta disparidade prolongada revela duas realidades preocupantes para a economia nacional. Por um lado, o saldo líquido de 55,6 milhões USD num único trimestre confirma a pressão contínua que o repatriamento de rendimentos dos trabalhadores estrangeiros exerce sobre a liquidez de divisas e as reservas do sistema bancário.
Por outro lado, o quadro expõe a incapacidade do País em converter a sua diáspora numa fonte estrutural de divisas. Ao contrário do que se verifica em várias economias emergentes, onde o dinheiro enviado pelos emigrantes é um pilar de estabilidade financeira e de suporte ao consumo familiar, no contexto interno o volume captado permanece num nível residual, sendo manifestamente insuficiente para contrabalançar o fluxo de saída de capital.









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