Apesar de concentrarem a maior reserva diamantífera do País, as províncias da Lunda Sul, Lunda Norte e Moxico registam taxas de pobreza multidimensional superiores a 90%. Tal facto ocorre devido ao fraco investimento em responsabilidade social por parte de algumas diamantíferas que operam no Leste de Angola.
As conclusões constam do mais recente estudo do Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola (CEIC-UCAN), intitulado ‘Impacto da Exploração Diamantífera e Responsabilidade Social na Região Leste’.
A investigação compreende o período de 2017 a 2023, altura em que o País se posicionava como o sexto maior produtor global de diamantes, tendo atingido uma produção anual de cerca de 8,3 milhões de quilates, o equivalente a mais de 1,9 mil milhões de USD em volume de exportações.
Ao fazer a apresentação macroeconómica do sector a que a obra faz referência, o investigador Wilson Chimuco referiu que a destruição do meio ambiente, causada pela exploração diamantífera, tem afectado directamente a economia primária local, prejudicando as actividades agrícola e piscatória, das quais as famílias dependem para a sua subsistência.

Este cenário, de acordo com o especialista, tem elevado os níveis de desemprego, o custo de vida e os desafios de urbanização na região.
Ao longo destes sete anos, as diamantíferas investiram um montante global aproximado de 235 milhões de USD, direccionado, maioritariamente, a projectos nas áreas da educação e do desenvolvimento local. No entanto, estes sectores não constituem o foco prioritário das operadoras. Segundo o também economista, o elevado custo associado aos sectores da educação e do desenvolvimento local tem desincentivado novos investimentos nestas áreas.
“E talvez isso justifique por que razão algumas empresas têm alguma reticência em avançar com projectos sociais ligados à educação e à saúde, focando-se em outros, como é o caso do apoio aos idosos — que é o tipo de iniciativa que as empresas diamantíferas estão disponíveis a financiar”, explicou.
O paradoxo: Lunda Sul lidera a produção de diamantes, mas apresenta níveis elevados de desemprego
Embora lidere a produção diamantífera em Angola através da Sociedade Mineira de Catoca, responsável por mais de 71% da produção nacional, a província da Lunda Sul, de acordo com o estudo, apresenta dois grandes paradoxos sociais: o nível de desemprego mais alto do País e uma das taxas de urbanização mais acentuadas.
“(...) Quando olhamos para o emprego, o Moxico posiciona-se mais favoravelmente, enquanto a Lunda Sul está numa posição menos favorável”, observou o investigador.
Segundo Wilson Chimuco, a falta de incentivos para a actividade económica, além da exploração diamantífera, tem reduzido as oportunidades nas zonas rurais. “Sem motivos para permanecer no campo, as populações são impulsionadas a migrar para os centros urbanos”, detalhou.
Reposição florestal aquém do avanço da desmatação
No Leste de Angola, o nível de destruição ambiental e desflorestação nas zonas de exploração diamantífera é contínuo e crescente. O estudo aponta que a taxa de reposição florestal tem sido inferior à velocidade de desmatação, o que degrada o ecossistema local.
“Quanto mais exploração se realiza, mais os níveis de desflorestação nesta localidade tendem a aumentar (...), e o processo de reposição não acompanha a dinâmica da desmatação. Esta é outra evidência que nós identificámos”, afirmou.
Sociedade Mineira de Catoca investe 2% da sua receita no sector social
Entre as empresas que mais investem no sector social, destaca-se a Sociedade Mineira de Catoca. De acordo com a investigação, a empresa aloca entre 1% e 2% da sua receita bruta a acções de responsabilidade social, um montante que tem sido distribuído por diversas áreas de intervenção.










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