A primeira gigafábrica de baterias do continente africano entra na fase de comissionamento em Kenitra, Marrocos, após a conclusão dos edifícios e das infra-estruturas industriais. O projecto, liderado pela chinesa Gotion High-Tech, representa um investimento inicial de 1,3 mil milhões USD e prevê uma capacidade anual de 20 GWh, segundo informação divulgada pelo site IlBoursa e consultado pela revista Economia & Mercado.
A construção arrancou em Setembro de 2025. A unidade integra tecnologia de fosfato de ferro e lítio (LFP), utilizada em veículos eléctricos e sistemas de armazenamento de energia. O projecto abrange ainda a produção de materiais catódicos, com o objectivo de desenvolver uma cadeia industrial local. A primeira fase deverá abastecer Marrocos, outros mercados africanos, a Europa, o Médio Oriente e os Estados Unidos.
Fundada em 2006 e cotada na Bolsa de Shenzhen, a Gotion High-Tech é especializada em baterias de iões de lítio, sistemas de armazenamento e materiais para baterias. A expansão marroquina reforça a sua presença internacional e posiciona África na cadeia global da mobilidade eléctrica.
O Banco Africano de Desenvolvimento aprovou um empréstimo de 100 milhões de euros (114 milhões USD) e prevê mobilizar mais 141 milhões de euros (cerca de 161 milhões USD) junto de parceiros financeiros. O financiamento apoia uma unidade integrada, da produção de materiais catódicos às células e baterias.
A capacidade inicial diverge entre as fontes: a Gotion aponta 20 GWh (quantidade total de electricidade produzida ou consumida ao longo de uma hora) anuais, enquanto o BAD projecta 10 GWh na primeira fase, com expansão para 100 GWh. O projecto prevê mais de 600 empregos directos na fase inicial e uma integração industrial local de 70%.
A aposta surge num mercado africano ainda dependente de baterias importadas, mas com potencial de crescimento associado à mobilidade eléctrica e ao armazenamento de energias renováveis.















