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Metade dos angolanos vive em pobreza, revela PNUD

Teresa Fukiady
13/10/2026
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Foto:
DR

Análise revela que o número absoluto de angolanos em situação de pobreza multidimensional passou de 15,1 milhões em 2015/2016 para 17,2 milhões em 2023/2024, um aumento de 2,1 milhões de pessoas.

Quase metade da população angolana vive em situação de pobreza multidimensional. A estimativa mais recente aponta para 49,3% dos habitantes, cerca de 18,7 milhões de pessoas, privadas simultaneamente de condições essenciais de bem-estar, como acesso à saúde, educação e serviços básicos.

 Os dados constam do Índice Global de Pobreza Multidimensional (MPI) 2026, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e pela Iniciativa de Oxford para a Pobreza e o Desenvolvimento Humano (OPHI), da Universidade de Oxford.

Em média, no país, as pessoas em pobreza multidimensional estão privadas de mais de metade dos indicadores analisados. As condições de vida são as que mais contribuem para a pobreza multidimensional, com 46,2%, seguidas da educação, com 29,9%, e da saúde, com 23,9%.

No país, de acordo com o documento consultado pela E&M, cerca de 11 milhões de pessoas, correspondentes a 29,6% da população, vivem em pobreza multidimensional grave. Outros 14,8% encontram-se vulneráveis à pobreza, o que significa que estão expostos ao risco de enfrentar privações em várias dimensões do seu bem-estar.

Entre os países de língua portuguesa analisados, Moçambique apresenta a maior parcela da população em situação de pobreza multidimensional grave, com 38,8%, seguido da Guiné-Bissau, com 35,9%, Angola, com 29,6%, Timor-Leste, com 17,4%, São Tomé e Príncipe, com 2,1%, e Brasil, com 0,9%. Na comparação regional, Angola figura entre os 10 países da África Subsariana com maior número absoluto de pessoas pobres.

Por outro, de acordo com o relatório, a pobreza monetária continua igualmente a afectar uma parte expressiva da população. Segundo os dados apresentados, 39,3% dos angolanos vivem com menos de três dólares por dia, enquanto 32,3% estão abaixo da linha nacional de pobreza.

O relatório contempla também os dados harmonizados que permitem comparar a evolução da pobreza multidimensional ao longo do tempo. A análise revela que o número de angolanos afectados passou de 15,1 milhões em 2015/2016 para 17,2 milhões em 2023/2024, o que representa um aumento de 2,1 milhões de pessoas. No mesmo período, indica o documento, a incidência da pobreza recuou de 51,8% para 45,5%, o que significa que a população cresceu mais depressa do que a pobreza diminuiu.

 

Entre os progressos registados na série harmonizada destacam-se a redução das privações no acesso ao saneamento, de 44,9% para 35,2%, e à electricidade, de 44% para 36,6%. Também diminuíram as privações nos anos de escolaridade, de 32,1% para 23,4%, e no acesso à água potável, de 35,7% para 28%.

O relatório alerta, contudo, para as diferenças na evolução da pobreza entre adultos e crianças. Em Angola, a pobreza multidimensional diminuiu entre os adultos, enquanto entre as crianças não foi equivalente, sugerindo que os mais novos continuam expostos a privações persistentes.

A nível mundial, cerca de 1,2 mil milhões de pessoas vivem em pobreza multidimensional aguda, mais de metade das quais são crianças. O relatório assinala ainda uma inversão da tendência global de redução da pobreza multidimensional, com um aumento do número de pessoas afectadas pela primeira vez desde o lançamento do índice, em 2010.

O Índice de Pobreza Multidimensional (IPM) avalia privações em dez indicadores distribuídos por três dimensões: saúde, educação e condições de vida. Entre os indicadores estão nutrição, mortalidade infantil, escolaridade, frequência escolar, acesso à água potável, saneamento, electricidade, combustível para cozinhar, condições de habitação e bens básicos. Uma pessoa é identificada como multidimensionalmente pobre quando as suas privações atingem pelo menos um terço da ponderação total dos indicadores.