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Moçambique celebra um ano sem raptos, mas empresários querem mais

Hermenegildo Langa
23/10/2026
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Foto:
DR

Os crimes de rapto constituíram, durante cerca de 15 anos, uma das principais preocupações no domínio da segurança pública em Moçambique.

Moçambique celebra, este mês, um ano sem registar algum caso de rapto ou sequestro consumado, interrompendo um ciclo de 15 anos consecutivos marcados por este tipo de criminalidade. O cenário criou, durante o período, um clima de instabilidade que deixou profundas marcas para a economia. Após 15 anos sombrios, o país procura agora recuperar a confiança dos investidores em meio a ganhos e cepticismo.

Para o Governo, um ano sem raptos é resultado de um conjunto de esforços que têm vindo a ser empreendidos por diversas instituições do Executivo, sobretudo o Ministério do Interior e o SERNIC, fruto das várias acções adoptadas desde a entrada do novo Governo liderado por Daniel Chapo.

Foi a 07 de Outubro de 2025 que Moçambique registou o último caso de sequestro, envolvendo um cidadão de nacionalidade portuguesa que meses depois foi liberto (a 10 de Março de 2026). De lá para cá, o país nunca teve o registo de um caso semelhante.

Para o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), o silêncio é resultado de um conjunto de medidas, com destaque para a reestruturação do SERNIC, o reforço da coordenação operacional com a Polícia da República de Moçambique (PRM) e a colaboração dos cidadãos e dos órgãos de comunicação social no fornecimento de informações relevantes para as investigações.

O director-geral do SERNIC, Ilídio Miguel, lembrou que os crimes de rapto, um fenómeno que, durante cerca de 15 anos, constituiu uma das principais preocupações no domínio da segurança pública no país.

“A liderança do Presidente da República, Daniel Chapo, no combate à criminalidade organizada e o reforço da capacidade operacional do SERNIC foram factores que contribuíram para os resultados apresentados”, destacou o responsável.

Entretanto, apesar de assinalar um ano sem registo de crimes de rapto, o SERNIC reconhece que a ameaça ainda persiste. De acordo com a instituição, continuam a ser identificadas tentativas de rapto, algumas das quais têm sido antecipadas e neutralizadas pelas autoridades.

Perante este cenário, Ilídio Miguel apelou aos empresários e à população em geral para continuarem a confiar no trabalho desenvolvido pela instituição, defendendo o reforço da colaboração entre as autoridades e os diferentes sectores da sociedade.

Recorde-se que aquando da tomada de posse do novo Governo, em Janeiro de 2025, o chefe do Estado moçambicano, Daniel Chapo, reiterou o compromisso de combater a criminalidade organizada e garantir condições para que os empresários exerçam as suas actividades em segurança. “Um dos aspectos principais que o investidor quer é segurança. Por isso prometemos e vamos continuar a trabalhar para que Moçambique seja um país seguro, livre de crimes como o rapto”, declarou Chapo aquando da sua investidura como Presidente da República.

Empresários ainda reticentes

Embora seja um ganho, o empresariado moçambicano afirma que a situação ainda merece alguma cautela, assumindo no entanto, que o marco de um ano sem notificação de raptos consumados, anunciado pelas autoridades, reforça a confiança dos investidores.

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), a maior agremiação empresarial no país, defendeu contudo a continuidade das medidas de prevenção, investigação criminal e desmantelamento das redes envolvidas nesses crimes.

“Um clima de estabilidade e previsibilidade contribui para reforçar a confiança dos investidores, estimular a iniciativa empresarial, promover a expansão das empresas nacionais e tornar Moçambique mais atractivo ao investimento privado, nacional e estrangeiro”, afirmou a CTA.

A CTA reconheceu os esforços das autoridades, mas sublinhou que a consolidação dos resultados exige uma intervenção contínua e coordenada entre as instituições do Estado, o sector privado e a sociedade, frisando que “os raptos tiveram consequências graves para o tecido empresarial, ao condicionarem decisões de investimento e criarem um ambiente de insegurança para empresários, trabalhadores e respectivas famílias”.

Assim, entre as prioridades, o empresariado moçambicano apontou o reforço da investigação criminal, a responsabilização dos autores e o desmantelamento das redes de raptos. Reafirmou também a disponibilidade para colaborar na promoção de “um ambiente de negócios seguro, estável e favorável ao investimento, à criação de emprego e ao crescimento sustentável e inclusivo”.

Já para a FUNDEC, um ano sem registo de novos casos de rapto no país representa mais do que um indicador positivo de segurança, mas sim um sinal encorajador de que Moçambique pode recuperar a confiança dos seus agentes económicos, proteger melhor o capital nacional, atrair investimento estrangeiro e criar condições para que as empresas voltem a concentrar as suas energias na produção, na expansão dos seus negócios e na criação de oportunidades de emprego.

A agremiação recorda que a segurança dos empresários, dos trabalhadores, das famílias e dos investidores é uma condição indispensável para o desenvolvimento sustentável e para a consolidação de uma economia competitiva. Ainda assim, para a FUNDEC, a continuidade deste marco (de um ano sem raptos) será decisiva para que a segurança conquistada se traduza em oportunidades reais para as empresas, para os trabalhadores e para todos os moçambicanos.

“O desafio que se coloca agora é preservar este resultado, aprofundar as reformas económicas e converter a maior segurança em investimento, produção, emprego e prosperidade partilhada”, conclui, reiterando que: “a segurança não substitui as reformas económicas, mas constitui uma das suas bases essenciais, porque nenhum ambiente de negócios pode ser plenamente atractivo quando os investidores receiam pela sua integridade física, pela segurança das suas famílias ou pela continuidade dos seus empreendimentos”.

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