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Moçambique lança plataforma de monitorização de divisas em meio à escassez

Hermenegildo Langa
5/10/2026
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Foto:
DR

A plataforma permitirá acompanhar o volume de divisas que os exportadores colocam à venda no sistema bancário, os preços praticados nas operações e a procura de moeda estrangeira.

O Banco de Moçambique (BdM) prevê lançar até ao final deste ano uma plataforma digital que permitirá acompanhar, em tempo real, a oferta e a procura de divisas no sistema bancário. A ferramenta deverá monitorizar as divisas disponibilizadas pelos exportadores, os preços praticados, a procura dos importadores e as taxas aplicadas pelos bancos, bem como reforçar a transparência e o acompanhamento do mercado cambial.

A plataforma, segundo o governador do BdM, Felisberto Navalha, permitirá acompanhar o volume de divisas que os exportadores colocam à venda no sistema bancário, os preços praticados nas operações e a procura de moeda estrangeira por parte dos importadores e os preços praticados pelos bancos.

“Queremos, até ao final de Dezembro, colocar à disposição do sistema bancário e do mercado uma plataforma que permite, em tempo real, ao BdM, monitorizar o volume de divisas que os exportadores colocam no sistema para venda, para os bancos, e, consequentemente, a que preço estão a colocar”, explicou o governador do banco central à margem do anúncio das deliberações do Comité de Política Monetária (CPMO) que decidiu manter a taxa de juro em 9,25%, na semana passada.

De acordo com Felisberto Navalha, a iniciativa ainda enquadra-se no processo de transformação digital em curso no sistema financeiro moçambicano e, também, “melhorar a capacidade de o BdM identificar, em tempo real, eventuais desequilíbrios entre a oferta e a procura de divisas no país”. “Precisamos de fazer algumas reformas no funcionamento do mercado, para garantir que este fluxo de divisas e este volume de recursos possam ser distribuídos ou alocados no mercado da forma mais transparente e eficiente possível”, explicou Felisberto Navalha.

Outro aspecto que levou o BdM a desenvolver este sistema tem a ver com o facto de o sector empresarial nacional queixar-se da escassez de divisas enquanto o mercado cambial registou, entre Janeiro e Agosto do ano em curso, um aumento significativo no volume de compras e vendas de divisas, impulsionado pela implementação dos projectos de gás natural liquefeito na bacia do Rovuma e pelo desempenho da indústria extractiva, num contexto de relativa estabilidade cambial.

Dados do mercado indicam que as compras de divisas pelos bancos comerciais aumentaram em 724 milhões de dólares, face ao período homólogo de 2025, atingindo 5,73 mil milhões de dólares americanos. No mesmo período, as vendas de divisas pelos bancos comerciais aos seus clientes cresceram 593 milhões de dólares, para um total de 5,65 mil milhões de dólares, reflectindo o elevado nível de operações no mercado cambial.

Há anos que Moçambique tem vindo a registar escassez de moeda estrangeira, sobretudo o dólar e euro. Desde o início do presente ano, a situação tem estado associada à crise de combustíveis, no entanto o banco central diz não haver relação.

Ainda no anúncio das decisões do CPMO, o governador do banco central explicou que até Agosto, o sistema bancário moçambicano tinha adquirido cerca de 5,7 mil milhões de dólares junto dos seus clientes e de outros agentes económicos, acima do volume registado no mesmo período do ano anterior.

Apesar de afastar uma relação entre a disponibilidade de divisas e os actuais constrangimentos no abastecimento de combustíveis, o responsável apontou a evolução dos preços internacionais como um dos riscos acompanhados pelo BdM no âmbito da política monetária. “Neste momento, vislumbramos o elevar de alguns riscos, sobretudo relacionado com o preço internacional dos combustíveis”, concluiu.