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Moçambique mantém taxa de juro em 9,5%, mas com sinais persistentes de riscos e incertezas

Hermenegildo Langa
1/10/2026
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Foto:
DR

A decisão é justificada pela persistência de riscos e incertezas associados aos choques climáticos e ao prolongamento das tensões geopolíticas.

O Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique (BdM) decidiu, esta quarta-feira, manter a taxa de juro da política monetária (taxa MIMO) em 9,5%, ao mesmo tempo que aprovou alterações ao regime de reservas obrigatórias. A decisão é justificada pela persistência de riscos e incertezas associados aos choques climáticos e ao prolongamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente e na Europa.

Segundo o governador do banco central, Felisberto Navalha, o novo regime de reservas obrigatórias terá uma duração de 18 meses e permitirá aos bancos deduzir, na componente em moeda nacional das reservas, montantes correspondentes a novos financiamentos concedidos a empresas que contribuam para a substituição de importações e/ou para o aumento das exportações.

“A taxa de juro aplicável a estes financiamentos será a taxa de política monetária, podendo ser acrescida de uma margem de 150 pontos-base, dependendo da finalidade do financiamento”, explicou Felisberto Navalha, para depois justificar que a “avaliação de riscos que se faz hoje (taxa MIMO) mostra que seria necessário manter alguma prudência para não correr o risco de sermos irresponsáveis amanhã”.

Em relação à inflação, as perspectivas do Banco de Moçambique apontam para um aumento da inflação no curto prazo, seguido de uma desaceleração para níveis de um dígito no médio prazo. Em Agosto de 2026, a inflação anual desacelerou para 6,5%, contra 7,5% anteriormente. A inflação subjacente, que exclui alguns produtos com preços mais voláteis, também apresentou uma redução.

Na mesma ocasião, o governador do banco central alertou que a actual conjuntura económica exige medidas de prudência, face ao aumento do custo da cesta básica e aos efeitos provocados pela subida dos preços dos combustíveis.

“O aumento do custo de vida ocorre num contexto internacional considerado adverso, com impactos que também se fazem sentir em Moçambique. As pressões externas têm contribuído para o encarecimento de vários produtos e serviços, agravando os desafios enfrentados pelas famílias”, assinalou Navalha.

Diante deste cenário, o governador afirmou estar a adoptar-se medidas de prudência para preservar a estabilidade económica e financeira do país. Entre as medidas está a manutenção da taxa de juro, apontada como uma forma de assegurar o equilíbrio da economia e acompanhar a evolução dos principais indicadores económicos.

O Banco de Moçambique defende que a evolução da economia continuará a ser acompanhada de perto, tendo em conta os riscos externos e os efeitos que estes podem produzir sobre os preços e sobre o poder de compra da população.

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