O Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu na última sexta-feira, em Maputo, a capital moçambicana, uma missão técnica de dez dias, sinalizando progressos para um potencial programa de Facilidade de Crédito.
A missão decorreu no âmbito das negociações para um eventual programa ao abrigo da Facilidade de Crédito Alargada (ECF, na sigla inglesa), mecanismo de financiamento concessionário destinado a países de baixo rendimento.
Durante a missão, a equipa do FMI liderado por Pablo López Murphy, manteve encontros com o Governo moçambicano, a Comissão do Plano e Orçamento e representantes de diversas instituições, com o objectivo de avaliar a situação económica do país e dar início às discussões para um eventual programa de financiamento.
As discussões incidiram sobre questões centrais da economia moçambicana, incluindo o desempenho do sector real, a sustentabilidade fiscal e da dívida pública, a política monetária, o mercado cambial e as reformas estruturais.
Após a missão de dez dias, o FMI afirmou que as “discussões sobre as reformas necessárias para abrir caminho a um programa apoiado pelo Fundo continuarão nos próximos meses”, sem indicar um calendário para um eventual acordo técnico.
“A visita permitiu analisar a evolução recente da economia moçambicana e realizar discussões construtivas sobre reformas que poderão sustentar um programa apoiado pelo Fundo Monetário Internacional”, lê-se numa nota divulgada pelo Fundo.
Ademais, o FMI destacou ainda que a actividade económica moçambicana permanece moderada, demonstrando “sinais de recuperação”, com a inflação a manter-se contida, ao mesmo tempo que prossegue a consolidação fiscal iniciada em 2025, baseada na contenção da despesa pública. Ainda assim, a instituição financeira internacional advertiu serem necessários esforços contínuos de política económica para enfrentar os desequilíbrios fiscais e externos e criar condições para um crescimento mais robusto.
Em representação do Governo moçambicano, a ministra das Finanças, Carla Loveira, expressou satisfação pelos trabalhos realizados pela missão do FMI, destacando que “a avaliação representa uma etapa crucial no processo de negociação de um potencial programa”.
“Esperamos que o alinhamento das perspectivas macro fiscais de curto e médio prazo entre a equipa técnica e o FMI continue nos próximos dias, e aguardamos um feedback positivo aquando da submissão do relatório ao Conselho Executivo do FMI”, afirmou a ministra moçambicana das Finanças.
Não obstante, o Executivo moçambicano espera que esta missão tenha estabelecido as bases iniciais e que abra um caminho para um possível “Staff Level Agreement”, um feedback positivo pelo Conselho Executivo do FMI e uma possível missão para discutir as condicionalidades, indicadores e metas do programa em Novembro de 2026.
Recorde-se que em Abril, Moçambique decidiu antecipar a liquidação total da sua dívida no valor de 701,4 milhões de dólares, equivalentes a 514,04 milhões de Direitos de Saque Especiais (SDR), encerrando desta forma todos os pagamentos pendentes e antecipando o calendário de amortizações que se estenderia até 2030 junto daquela instituição financeira.













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