O activista e empreendedor sul-africano Ndaba Mandela considera que alguns líderes africanos colocam os interesses pessoais acima dos nacionais, comprometendo o desenvolvimento dos seus países.
Falando na véspera do Move Angola – Conferência Inernacional de Liderança, onde foi orador, o também autor defendeu ainda, em entrevista exclusiva à E&M, que a corrupção, os acordos pouco transparentes e a dependência de parceiros externos podem limitar as oportunidades económicas e impedir que os benefícios dos projectos de desenvolvimento cheguem efectivamente às populações.
“Infelizmente, há líderes que colocam os interesses pessoais acima dos interesses nacionais”, afirmou Ndaba Mandela, neto do antigo Presidente Nelson Mandela, ao reflectir sobre os desafios políticos e económicos do continente africano.
Para o activista, os dirigentes devem privilegiar parcerias que promovam o desenvolvimento nacional, a transferência de competências e a criação de oportunidades locais, em vez de decisões orientadas por interesses particulares.
A formação de uma nova geração de líderes é uma das prioridades por ele defendidas. Através da Africa Rising Foundation, criada em 2009, o activista tem procurado ampliar as oportunidades educativas para jovens, sobretudo estudantes do ensino secundário provenientes de comunidades com poucos recursos. As iniciativas incluem programas ligados à tecnologia, às ciências e ao desporto, com o objectivo de desenvolver competências e apresentar diferentes possibilidades de carreira.
A fonte defende igualmente melhores condições para o empreendedorismo juvenil, incluindo acesso ao financiamento, mentoria e redução da burocracia na criação de empresas. Na sua visão, o combate ao desemprego e a promoção do desenvolvimento sustentável exigem não apenas políticas públicas adequadas, mas também lideranças comprometidas com o interesse colectivo.
Inspirado pelo legado do avô, Ndaba Mandela sustenta que a liderança deve ser acompanhada de responsabilidade social e capacidade de criar oportunidades para os outros.
Para África, considera, é essencial reforçar a confiança nas capacidades dos jovens e construir condições para que estes participem activamente na transformação económica e social dos seus países.















