As empresas angolanas estão mais conscientes da importância dos critérios ambientais, sociais e de governação (ESG), mas continuam a enfrentar dificuldades para integrar estes princípios nas estratégias de negócio e demonstrar resultados concretos. O diagnóstico é de Eliane dos Santos, directora Executiva da Rede do Pacto Global das Nações Unidas em Angola, que sublinha que o mercado empresarial angolano se encontra numa fase de transição.
De acordo com a responsável, embora se note uma maior consciência em torno dos critérios ESG, especialmente entre as grandes empresas, ainda existe um longo caminho a percorrer entre o conhecimento teórico e a efectiva implementação na estratégia de negócios.
“É aqui que o mandato do Pacto Global das Nações Unidas tem maior relevância. Ajuda as empresas a traduzirem a sustentabilidade na estratégia de negócios. Dito de outra forma, ajudamos as empresas a tirar a sustentabilidade dos discursos à prática. Precisamos de empresas que não falam apenas sobre o ESG, mas que consigam efectivamente mostrar o seu impacto”, explicou a responsável durante a VI Conferência E&M Ambiente e Desenvolvimento, dedicada ao tema “Cadeia de Valor do Oil and Gas: a Transição Energética em Angola — ESG como Motores de Criação de Valor na Economia Angolana”, realizada nesta quarta-feira, 21, em Luanda.
Eliane dos Santos que participou na mesa redonda subordinada ao tema ‘Ambiente, Financiamento e Transição Energética: que futuro estamos a construir para Angola?’, alertou também para as lacunas na avaliação dos riscos financeiros. Segundo a responsável, embora o sistema financeiro angolano tenha experiência na avaliação de riscos, é necessário desenvolver maior conhecimento sobre os riscos não financeiros, que incluem matérias ambientais, sociais e de direitos humanos.
A falta de informação sobre o impacto das iniciativas de sustentabilidade constitui outro obstáculo. Embora as empresas conheçam, em muitos casos, os montantes destinados à responsabilidade social corporativa, nem sempre conseguem demonstrar os resultados qualitativos dessas intervenções.
“Se perguntar quanto é que as vossas empresas têm desembolsado anualmente financeiramente, penso que todos aqui conhecem o valor. Mas, qualitativamente, é aqui que está o gap”, afirmou.
Para responder a estes desafios, a Rede do Pacto Global das Nações Unidas em Angola procura apoiar as empresas na integração da sustentabilidade nas estratégias de negócio, através de acções de capacitação, da avaliação da maturidade ESG e de mecanismos de prestação de contas. A iniciativa promove ainda um quadro de referência assente em dez princípios relativos aos direitos humanos, ao trabalho, ao ambiente e ao combate à corrupção.
Lançada oficialmente em Maio de 2026, a rede angolana passou a integrar a estrutura internacional do Pacto Global das Nações Unidas, tornando Angola, segundo Eliane dos Santos, a 11.ª rede nacional em África.
Para a responsável, o desafio consiste agora em transformar a adesão crescente das empresas em mudanças efectivas na forma como operam, avaliam os riscos e demonstram o seu contributo para o desenvolvimento sustentável.















