Para Angola, a agenda ESG (Environmental, Social and Governance) não se resume à transição económica e energética: é um desafio de reconversão do modelo económico e de diversificação, defendeu a directora da PwC, Alexandra Moutinho, na VI Conferência E&M Ambiente e Desenvolvimento, dedicada à cadeia de valor do Oil & Gas e à transição energética em Angola.
Na prelecção intitulada “Da informação ESG à decisão: sustentabilidade, governance e financiamento como motores de criação de valor na economia angolana”, apresentada em conjunto com Cláudia Coelho, Partner da PwC, Alexandra Moutinho centrou a análise na perspectiva dos financiadores e investidores, defendendo que a sustentabilidade deve ser integrada nas decisões de alocação de capital.
Na apresentação, a responsável defende que embora a agenda ESG esteja frequentemente associada à transição energética em algumas economias desenvolvidas, no caso de Angola o desafio passa também por reconverter o actual modelo económico e utilizar os recursos disponíveis para financiar novas fontes de crescimento.
A apresentação resume-se numa questão: como utilizar melhor a riqueza petrolífera para construir e financiar a economia pós-petróleo?
Os números mostram que a transição energética não é o principal problema do país. Angola pesa 0,07% nas emissões globais de dióxido de carbono (CO2) e emite 0,75 toneladas por habitante, contra 14,2 nos Estados Unidos. Segundo a apresentação, 70% do consumo energético é de origem renovável e o país tem 100% de capacidade própria de produção de energia.
De acordo com a PwC, o desafio está na estrutura da economia. Angola precisa de transformar a riqueza petrolífera numa alavanca de diversificação económica e integrar os critérios ambientais, sociais e de governação (ESG) nas decisões de investimento, para reduzir a dependência do petróleo e reforçar a competitividade da economia.
“Angola enfrenta desafios económicos, ambientais e sociais como a dependência do Oil & Gas, exposição aos riscos climáticos, necessidade de diversificação e desenvolvimento Exige novas fontes de crescimento, emprego e competências e a necessidade de mobilizar investimento”, apontou a prelectora.
A VI Conferência E&M Ambiente e Desenvolvimento realizada nesta quarta-feira, 21, reuniu decisores públicos, empresas, investidores, operadores eléctricos e instituições financeiras para discutir caminhos de transformação do sector energético nacional.















