Num momento em que Angola se aproxima de um período de intensa campanha eleitoral com vista ao pleito de 2027, o alerta é claro: os actores políticos não podem nem devem ignorar o palco digital”. A afirmação é do Director Nacional de Publicidade, José Matuta Cuato, feita esta quinta-feira (22), em Luanda, na 5.ª edição do Festival Internacional de Publicidade, Comunicação, Criactividade, Marketing e Media dos PALOP (Festipub).
Ao apresentar os bastidores do marketing político na era das redes sociais e da inteligência artificial, o responsável reconheceu que “o digital comanda a vida das pessoas”. Por esta razão, os partidos, governos e políticos não devem se abster do cenário virtual.
Para o gestor, ouvir antes de falar é uma qualidade indispensável para os actores políticos. “As sondagens não bastam. É preciso ouvir as ruas e monitorizar atentamente o sentimento nas redes sociais”, advertiu.
Destacou que, para a cena política actual, “o herói da história deve ser o cidadão comum, e não o partido ou o candidato”. Recomendou para tal, a contrução de um storytelling que foque na verdade e transparência.“Nunca manipular nem apagar conteúdos por pânico”, advogou.
A métrica mais importante de compromisso numa rede social não é o "gosto", mas sim a partilha, apontou, pois mostra que a pessoa se identificou com a mensagem e esteve disposta a associar o seu próprio nome a ela.
“Hoje, o público deixou de ser mera plateia e passou a ser participante e emissor (…). Além disso, as redes sociais tornaram-se ferramentas de mobilização directa, como vimos na Primavera Árabe”, detalhou.
Para comunicar bem no espaço digital, acrescentou, é preciso conhecer os dados do mercado. Segundo avançou José Matuta Cuato, o país tem mais de 18 milhões de utilizadores de internet e cerca de 5,5 milhões de utilizadores activos nas redes sociais. O Facebook lidera isolado com 5 milhões de utilizadores, seguido pelo TikTok, que já conta com cerca de 4 milhões e cresce a um ritmo forte. Ao passo que o LinkedIn, o Messenger e o Instagram rondam mais de 1 milhão de utilizadores cada.
Além disso, considerou fundamental saber o que as pessoas procuram. No Google, as pesquisas mais frequentes em Angola envolvem apostas, futebol e música. No YouTube, procuram-se filmes, música, louvores e podcasts.
“Quem desenha uma estratégia precisa de falar a língua da cultura local, para ganhar a confiança do público. Cada rede tem a sua especificidade. não se comunica no Facebook da mesma forma que se comunica no Instagram ou no LinkedIn”, alertou.











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