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Petróleo: O que a Nigéria está a implementar para chegar aos 2 milhões de barris/dia já em 2027

Victória Maviluka
4/11/2026
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Foto:
DR

Reformas acrescentaram 600 mil barris de petróleo bruto à produção diária, elevando o volume de aproximadamente 1,2 milhão para 1,8 milhão de barris/dia.

Depois de anos marcados por dificuldades operacionais, perdas de produção e incertezas no ambiente de negócios, a Nigéria começa a colher resultados das reformas introduzidas na indústria petrolífera. Desde a implementação da Lei da Indústria Petrolífera (PIA), em 2021, o país acrescentou 600 mil barris de petróleo bruto à produção diária, elevando o volume de aproximadamente 1,2 milhão para 1,8 milhão de barris por dia.

O crescimento foi anunciado pelo presidente da Comissão Executiva do Grupo da Nigerian National Petroleum Company (NNPC), Bashir Bayo Ojulari, durante a Exposição e Conferência Internacional de Petróleo de Abu Dhabi (ADIPEC 2026), nos Emirados Árabes Unidos. 

Segundo informações divulgadas pelo portal AllAfrica, consultado pela revista Economia & Mercado, o responsável atribuiu a recuperação à implementação da PIA, à melhoria do ambiente de investimento, a decisões de investimento mais acertadas e ao reforço da cooperação entre a petrolífera estatal e os seus parceiros.

A mudança começa a reflectir-se na capacidade de atracção de capital. A Nigéria procura recuperar o seu posicionamento entre os principais produtores africanos, transformando reformas regulatórias em novos projectos, operações mais eficientes e maior disponibilidade de petróleo para os mercados.

Na intervenção subordinada ao tema ‘A Agenda de Reformas da Nigéria: Competir pelo Capital Energético’, Ojulari revelou que a NNPC já concluiu acordos comerciais que abrangem cerca de 20 mil milhões de dólares em investimentos. Entre os projectos destacados estão Ubeta, da TotalEnergies, Bonga South-West, da Shell, e Zabazaba, da Eni. A empresa procura igualmente aprofundar relações com a ADNOC, de Abu Dhabi, investidores chineses e prestadores internacionais de serviços petrolíferos.

O próximo objectivo está traçado: atingir dois milhões de barris por dia até 2027. Para chegar lá, a estratégia passa pela manutenção das infra-estruturas existentes, protecção da produção de base, recuperação da capacidade dos activos em operação e execução de novos projectos.

“Os 1,8 milhões de barris por dia são uma etapa na caminhada rumo ao nosso objectivo”, afirmou Ojulari, sublinhando que a prioridade está em preservar as operações e garantir que os investimentos se traduzam efectivamente em mais produção.

Mas a ambição nigeriana não se esgota no petróleo. O gás natural também integra a estratégia de expansão energética. A NNPC pretende elevar a produção nacional para 10 mil milhões de pés cúbicos por dia até 2027 e 12 mil milhões até 2030.

Neste domínio, a conclusão do gasoduto Obiafu-Obrikom-Oben (OB3), em Agosto de 2026, representa um avanço na distribuição de gás. Já o gasoduto Ajaokuta-Kaduna-Kano (AKK) deverá levar gás a Abuja antes do final do ano, abastecendo centrais eléctricas, centros de dados e zonas industriais.

No mercado interno, a retirada do subsídio à gasolina foi acompanhada pela expansão do programa de gás natural comprimido (GNC). Mais de 400 centros de conversão foram instalados no país e acima de mil camiões de transporte de derivados petrolíferos passaram a utilizar este combustível.

A dimensão regional também entra no horizonte. A Nigéria, Marrocos e os países envolvidos no projecto do gasoduto Nigéria-Marrocos avançaram no alinhamento dos respectivos acordos. Em paralelo, Nigéria, Argélia e Níger chegaram a um entendimento sobre o desenvolvimento do Gasoduto Transaariano.

A aposta é transformar a reforma institucional numa plataforma de expansão da produção, diversificação energética e captação de investimento. Como advertiu o responsável da NNPC, “o nosso histórico será julgado pelo que fizermos e não pelo que dissermos”. Uma declaração que resume a pressão sobre a petrolífera: converter ambições e compromissos financeiros em barris, gás e resultados concretos.