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Primeiro leilão de rubis em Moçambique rende 13,5 milhões de meticais

Hermenegildo Langa
26/10/2026
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DR

A empresa Zambrock Mining Corporation ficou com dois dos quatro lotes de rubis colocados à venda, mediante uma proposta de 214 498 dólares, equivalente a 13,5 milhões de meticais.

Moçambique realizou, na última sexta-feira, na cidade de Nacala, província de Nampula (norte de Moçambique), o seu primeiro leilão de rubis em território nacional, num acontecimento que assinala uma mudança na organização comercial de uma das mais importantes actividades de exploração de pedras preciosas do país.

O evento decorreu no âmbito da Conferência sobre Adição de Valor com Base em Minerais e Recursos Energéticos Disponíveis (CAVAME-d), associada à 8.ª edição da Feira Anual de Gemas de Nampula, reunindo operadores mineiros, potenciais compradores e representantes das instituições públicas responsáveis pela regulação do sector.

A empresa Zambrock Mining Corporation, de capitais nacionais, ficou com dois dos quatro lotes de rubis colocados à venda, mediante uma proposta de 214 498 dólares, equivalente a 13,5 milhões de meticais.

As pedras leiloadas foram disponibilizadas pela Fura Gems, empresa que desenvolve operações mineiras na região de Montepuez, província de Cabo Delgado (norte de Moçambique), um dos principais centros internacionais de produção de rubis.

A realização da primeira operação em território nacional teve um significado económico que ultrapassa o valor arrecadado. Pela primeira vez, a negociação formal de lotes de rubis provenientes de Montepuez foi organizada no próprio país de origem, aproximando produtores, compradores e autoridades nacionais.

Até agora, as principais operações comerciais de rubis moçambicanos realizavam-se predominantemente em centros internacionais especializados, incluindo praças asiáticas de negociação de pedras preciosas.

O novo modelo cria a possibilidade de desenvolver capacidades nacionais de comercialização e ampliar a participação de empresas moçambicanas num segmento historicamente dominado por operadores internacionais.

No leilão, doze empresas participaram na avaliação das pedras disponibilizadas, mas apenas quatro avançaram com propostas financeiras.

O Secretário Executivo da Unidade de Gestão do Processo Kimberley, Castro Elias, explicou que os interessados tiveram oportunidade de observar e avaliar os lotes antes de submeterem as respectivas ofertas. Entre os potenciais compradores encontravam-se operadores nacionais e internacionais, nomeadamente de Hong Kong, Sri Lanka e Alemanha.

Falando no encerramento da iniciativa, Castro Elias, considerou que, apesar do volume relativamente reduzido de minerais disponibilizados, o evento permitiu demonstrar aos compradores internacionais que Moçambique dispõe de condições para acolher este tipo de operações.

“O Governo pretende preparar uma nova edição para 2027, com maior quantidade de minerais e participação internacional mais expressiva. A expectativa é disponibilizar mais de 20 quilogramas de material, contra as quantidades em gramas comercializadas nesta primeira experiência”, anunciou o responsável.

Segurança limitou mais compradores

As exigências de segurança e a inexistência de voos internacionais directos para Nacala condicionaram a participação de mais compradores estrangeiros. Na ocasião, o Executivo explicou que a comercialização internacional de pedras preciosas exige mecanismos de segurança especializados, tanto para proteger o material como para garantir a confiança dos compradores durante todo o processo.

“A logística aérea constituiu outro constrangimento. Em operações internacionais deste género, os compradores procuram efectuar os pagamentos e transportar o material adquirido logo após a conclusão do leilão”, sublinhou Castro Elias.

O dirigente afirmou ainda que os representantes da Fura Gems manifestaram satisfação com as condições asseguradas pelas autoridades moçambicanas, depois de inicialmente terem dúvidas sobre a possibilidade de realizar a operação no país.

Recorde-se que, o durante a CAVAME-d, o ministro moçambicano dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, incentivou a realização de leilões de pedras preciosas em território nacional, considerando que estas operações podem contribuir para aumentar a transparência e a participação de empresários moçambicanos na comercialização dos recursos.

O governante defendeu igualmente que Moçambique avance para uma nova etapa de processamento local dos minerais, incluindo a criação de uma marca própria para os rubis nacionais.