Angola já produz sal suficiente para o consumo interno, mas enfrenta agora um novo desafio: encontrar mercado para a produção. Em dez anos, o sector cresceu nove vezes e atingiu cerca de 260 mil toneladas anuais, permitindo ao País alcançar, há cerca de cinco anos, a autossuficiência no consumo humano e animal de sal.
Há 12 anos, Angola gastava até 80 milhões de dólares por ano na importação de sal. Hoje, segundo a Associação dos Produtores de Sal (APROSAL), essa factura caiu para cerca de dois a três milhões de dólares anuais, referentes a sal específico.
O salto produtivo, porém, começa a gerar pressão. “Foi-nos pedido o aumento da produção. Os produtores investiram, aumentaram a produção e, neste momento, não há consumo”, afirmou Totas Garrido, presidente da APROSAL, na Conferência E&M Economia Azul, realizada recentemente em Luanda.
O preço do sal caiu cerca de 30% entre Janeiro do ano passado e Agosto deste ano. Ao mesmo tempo, o transporte rodoviário de Benguela para Luanda passou de 18%/22% para cerca de 50% do custo do produto entregue. “Se o preço continuar a cair, o desinvestimento vai ser uma realidade”, alertou.
Para inverter a tendência, a APROSAL defende mais consumo interno, sobretudo industrial. O líder associativo lembra que 90% do sal produzido no mundo é destinado à indústria. A química é uma das principais oportunidades, tendo em conta a dependência angolana de soda cáustica e hipoclorito de sódio, cuja factura de importação supera 200 milhões de dólares por ano. Destaca, entretanto, o surgimento da fábrica de soda cáustica da Calombolo Química, em Benguela.
O sector petrolífero é um mercado potencial. Actualmente, absorve entre 12 mil e 18 mil toneladas de sal por ano. Com maior produção de petróleo, essa procura poderá chegar às 50 mil toneladas.
A segunda saída é a exportação. A APROSAL defende uma estratégia coordenada para conquistar mercados da RD Congo, Zâmbia, Congo-Brazzaville e outros países da região. Totas Garrido propõe, com o apoio institucional do Estado angolano, colocar 15 mil toneladas na RDC até Dezembro.
Mas há outros entraves. O Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB) continua caro face ao transporte rodoviário. A associação reclama ainda da tributação: o sal paga 25% de Imposto Industrial, contra 10% de sector como agrícola.
O desafio, resume Totas Garrido, já não é produzir mais. É criar mercado para o que Angola já consegue produzir.















