IFC Markets Live Quotes
Powered by
3
1
PATROCINADO

Sector do gás passa de factor de risco a oportunidade de negócio

Amilton Victor
3/11/2026
1
2
Foto:
Amilton Victor

Incremento na oferta vai impulsionar o arranque de indústrias locais de fertilizantes, ureia, amónia e petroquímica.

As reformas legislativas e estruturais aprovadas em 2018 transformaram o sector do gás natural no país. O que antes era visto como um factor de risco passou para uma das principais oportunidades de negócio. A garantia foi dada pelo Administrador Executivo da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), Alcides Andrade, durante a segunda edição da Angola Energy Leaders Summit (AELS 2026), realizada recentemente na capital angolana.

Segundo o responsável, o novo enquadramento permitiu dinamizar o sector com resultados expressivos, dos quais se destacam o aumento da produção, com a adição de cerca de 1 bilião de pés cúbicos de gás à produção nacional nos últimos dois anos, bem como o arranque do primeiro projecto focado essencialmente em gás não associado, um passo estratégico que assegura o fornecimento contínuo e a sustentabilidade operacional da fábrica Angola LNG por um período superior a 10 anos.

Paralelamente, assinalou o incremento na oferta de gás que vai impulsionar o arranque de indústrias locais de fertilizantes, ureia, amónia e petroquímica, para além de reforçar a capacidade de geração de energia eléctrica destinada aos grandes projectos do sector mineiro.

Alcides Andrade sublinhou ainda o elevado potencial energético do país e revelou que Angola estima um potencial total superior a 50 triliões de pés cúbicos (TCFs, na sigla inglesa) de gás natural, dos quais cerca de 15 TCFs estão actualmente classificados como reservas recuperáveis.

Angola regista subida na produção de gás natural e atinge 94% de aproveitamento em 2025

A produção média diária de gás natural em Angola atingiu 2.750 milhões de pés cúbicos padrão (MMSCFD) no ano de 2025, o que representa um crescimento de 2,42% em comparação com o período homólogo anterior. Os dados, que confirmam o aproveitamento da dinâmica do sector no país, constam do mais recente Relatório de Gestão da ANPG.

No acumulado do ano, a produção total do país fixou-se nos 1.003.750 milhões de pés cúbicos.

Paralelamente ao aumento dos volumes extractivos, o sector assinalou um progresso significativo no domínio ambiental e económico: a queima de gás caiu para apenas 6% da produção total. O índice de aproveitamento do recurso atingiu, assim, os 94%, sinalizando uma gestão mais eficiente numa indústria historicamente associada ao desperdício.

A actividade esteve fortemente concentrada nos Blocos 0, 15 e 17, responsáveis em conjunto por 78,4% da produção nacional de gás associado.

O Bloco 0 consolidou a posição de maior produtor individual do país, ao registar 1.070 MMSCFD. Este volume viabilizou a extracção de 10.248 barris de Gás de Petróleo Liquefeito (LPG), repartidos entre propano, butano e a produção processada na planta onshore.