Em Angola, mais de metade das mulheres não têm um emprego remunerado, quase oito em cada dez não possuem uma conta bancária e mais de metade não dispõe de um telemóvel. Os dados constam do relatório temático sobre género do Instituto Nacional de Estatística (INE), elaborado com base nos resultados do Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS) 2023-2024.
De acordo com o documento, apenas 48,7% das mulheres inquiridas estavam a trabalhar no período em análise, o que significa que cerca de 51 em cada 100 não exerciam uma actividade laboral no momento da entrevista. Entre os homens, a proporção era de 59,1%, uma diferença de 10,4 pontos percentuais.
Entre as mulheres que estavam a trabalhar, 56,3% residiam em zonas urbanas e 43,7% em áreas rurais. Mas é também nas cidades que se encontrava a maior parcela das mulheres que não trabalha. Do total destas mulheres, 78,5% residiam em áreas urbanas, contra 21,5% nas zonas rurais.
A exclusão financeira feminina é outro dos principais indicadores revelados pelo estudo. Apenas 23,4% das mulheres declararam possuir uma conta bancária ou ter acesso a uma instituição financeira formal. Isto significa que mais de três em cada quatro mulheres permanecem fora dos canais formais de intermediação financeira.
Entre as mulheres que tinham conta, 79,7% afirmaram ter movimentado dinheiro nos 12 meses anteriores ao inquérito, enquanto 20,3% não tinham realizado qualquer movimentação no período.
Por outro lado, o relatório aponta que apenas 46% das mulheres declararam possuir telemóvel. O que significa que, durante a pesquisa, mais de metade, 54%, relataram não dispor deste equipamento.
Na educação, 48,7% das mulheres tinham o ensino secundário como nível de escolaridade mais elevado, enquanto 26,5% tinham concluído apenas o ensino primário. Outras 18,2% não possuíam qualquer escolaridade formal e 6,6% tinham chegado ao ensino superior.
A média nacional de escolaridade feminina é de 3,68 anos. Entre as mulheres sem escolaridade formal, 73% residem em áreas rurais.
Já entre os homens, 62,1% tinham o ensino secundário, 21,7% o ensino primário, 8,1% o ensino superior e 8% não possuíam qualquer escolaridade formal.
No domínio da literacia, 35,2% das mulheres não sabiam ler nem escrever. Outros 20,6% apresentavam capacidade limitada de leitura, enquanto 44% eram consideradas alfabetizadas.













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