A expansão da energia solar está a redesenhar a matriz eléctrica nacional. Mas a sustentabilidade não termina na produção de electricidade. Começa também a medir-se pelo destino dos equipamentos quando deixam de funcionar.
O alerta é de Vladimir Russo, ambientalista e director Executivo da Fundação Kissama. Durante a mesa-redonda ‘Ambiente, Financiamento e Transição Energética: Que Futuro Estamos a Construir para Angola?’, na VI Conferência E&M Ambiente e Desenvolvimento, realizada nesta quarta-feira, 21, o especialista defendeu um olhar antecipado sobre os impactos ambientais dos investimentos em energias renováveis.
“Não é só produzir”, advertiu, no evento realizado em Luanda. Para o ambientalista, a mudança da matriz energética exige uma visão mais ampla da sustentabilidade. Uma energia mais limpa na origem também precisa de soluções responsáveis no fim do seu ciclo de vida.
Angola já instalou milhares de painéis solares. E o movimento está longe de abrandar. O projecto de sete parques fotovoltaicos, desenvolvido pela MCA e pela Sun Africa, mobilizou um investimento global de cerca de 523 milhões de euros.
A iniciativa soma 370 MW de capacidade e aproximadamente um milhão de painéis solares. Segundo dados divulgados pelos promotores, o programa deverá beneficiar cerca de 2,4 milhões de pessoas e reduzir as emissões em aproximadamente 1 milhão de toneladas de CO₂ por ano.
Os ganhos são expressivos. Mas a dimensão destes empreendimentos também antecipa a escala do desafio ambiental. Painéis, baterias e outros componentes eléctricos e electrónicos terão, mais cedo ou mais tarde, de ser substituídos, recolhidos e encaminhados para tratamento adequado.

“É preciso começarmos a pensar o que é que vai acontecer com as baterias, com os painéis solares”, alertou Vladimir Russo, chamando a atenção para as insuficiências legislativas na gestão dos resíduos eléctricos e electrónicos.
O ambientalista sublinha que estes equipamentos têm uma vida útil prolongada. Isso, porém, não elimina a necessidade de planeamento. Adia-a. E torna urgente preparar mecanismos de recolha, reutilização, reciclagem e tratamento seguro.















