As mulheres angolanas foram, em 2025, as estrangeiras que mais recorreram à interrupção da gravidez em Portugal. No total, foram registadas 1.685 interrupções, correspondentes a 20,9% dos procedimentos realizados por mulheres não portuguesas, segundo o relatório da Direcção-Geral da Saúde (DGS) a que a E&M teve acesso.
O número representa um aumento de 507 interrupções face a 2024, quando tinham sido registados 1.178 procedimentos envolvendo mulheres angolanas. Em termos comparativos, o peso das angolanas no conjunto das interrupções realizadas por estrangeiras passou de 16,4%, em 2024, para 20,9%, em 2025, uma subida de 4,5 pontos percentuais num ano. O crescimento do número de procedimentos foi de cerca de 43%. Nos dois anos (2024 e 2025), foram registadas 2.863 interrupções da gravidez envolvendo mulheres de nacionalidade angolana.
Em 2025, de acordo com a DGS foram realizadas 18.869 interrupções da gravidez. Destes, 44,2% (8.059) foram feitas por mulheres de nacionalidade não portuguesa. Em 2024, as estrangeiras tinham realizado 7.163 procedimentos, correspondentes a 39,6% do total.
Com a subida, Angola destronou o Brasil, que passou da primeira para a segunda posição entre as nacionalidades estrangeiras mais representadas. As brasileiras responderam por 1.592 interrupções em 2025, equivalentes a 19,7% do total realizado por estrangeiras, contra 1.580 (22%) em 2024. Cabo Verde manteve a terceira posição, com 1.178 interrupções, correspondentes a 14,6% do total das realizadas por estrangeiras, acima dos 977 (13,6%) procedimentos registados no ano anterior, apurou a E&M com base nos documentos referentes a 2024 e 2025. Outros países africanos com expressão relevante nos relatórios incluem nacionalidades São Tomé e Príncipe (713), Guiné-Bissau (701) e Moçambique (252).
De acordo com a DGS, a participação das mulheres estrangeiras nas interrupções da gravidez por opção da mulher tem vindo a aumentar. Em 2021, foram registados 3.567 procedimentos realizados por mulheres não portuguesas, número que subiu para 8.059 em 2025, mais do que duplicando em quatro anos.
Do total registado no último ano, 18.239 interrupções ocorreram por opção da mulher nas primeiras 10 semanas de gravidez, enquanto 495 estiveram relacionadas com situações de doença grave ou malformação congénita do nascituro.
O documento aponta que, a maioria das interrupções da gravidez por opção da mulher continuou a ser realizada no sector público, que concentrou 66% dos procedimentos em 2025. A idade média das mulheres que realizaram uma interrupção da gravidez manteve-se nos 28,5 anos, enquanto a idade gestacional média permaneceu nas sete semanas. O tempo médio entre a consulta prévia e a realização da interrupção foi de seis dias.
O crescimento do número de interrupções realizadas por mulheres angolanas ocorre num contexto de aumento da população angolana residente em Portugal. Dados da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) indicam que, em 2025, estavam registados 99.050 cidadãos angolanos residentes no país. Destes, 50.852 (51,3%) eram mulheres e 48.198 homens.
No conjunto da população estrangeira residente, os cidadãos angolanos representavam 6,25% dos 1.585.854 estrangeiros registados em Portugal no final de Dezembro de 2025.
















