Enviar trabalhadores para formação no exterior continua a representar custos elevados para as empresas angolanas e uma saída adicional de divisas. É neste mercado que o Instituto Nacional de Petróleos (INP) quer ganhar espaço, oferecendo no País formação especializada e certificações reconhecidas internacionalmente.
“Quando se manda alguém fazer formação fora, o custo pode corresponder à formação de uma turma de 30 pessoas cá dentro”, afirma o director-geral do INP, Alegria Raúl Joaquim.
A estratégia passa por aproximar a oferta de formação das necessidades concretas da indústria e reduzir a dependência de instituições estrangeiras.
Neste sentido, o INP já dispõe de um conjunto de certificações destinadas aos sectores petrolífero, do gás, mineiro e industrial. Na gestão da qualidade, implementou o sistema ISO 9001 em 2015 e obteve a certificação em 2017. Actualmente, encontra-se no terceiro ciclo de certificação, com validade até 2029.
Na área de Controlo de Poços, uma das especializações críticas da indústria petrolífera, o instituto foi acreditado em 2020 como centro secundário pelo International Well Control Forum (IWCF). Em 2023, tornou-se centro primário de certificação através da International Association of Drilling Contractors (IADC), dos Estados Unidos.
A ambição é clara: fazer em Angola certificações que durante anos obrigaram empresas a enviar trabalhadores para o estrangeiro.
Soldadura: fechar uma lacuna do mercado
A soldadura tornou-se outro campo estratégico. Apesar da existência de vários centros de formação no País, muitas empresas continuavam a procurar certificação no exterior.
Para Alegria Joaquim, que falava recentemente à revista Economia & Mercado à margem do Angola Oil & Gas, realizada em Luanda, o problema estava sobretudo na acreditação das instituições.
O processo ganhou impulso em 2023, com a realização da primeira Conferência Internacional de Soldadura e a entrada do INP, como membro observador, na Federação Europeia de Soldadura.
A instituição organizou ainda o 1.º Campeonato Nacional de Soldadura, no qual conquistou o 1.º e o 3.º lugares. Um dos jovens participantes alcançou o 5.º lugar no campeonato da Lusofonia.
O percurso abriu caminho à acreditação do INP como centro de certificação em soldadura pelo Instituto Britânico de Soldadura. A mais recente auditoria de recertificação teve resultados positivos.
Formação à medida da indústria
Em vez de manter uma oferta rígida, o Instituto Nacional de Petróleos quer funcionar como um ‘alfaiate’ da formação profissional: recebe a necessidade da empresa e ajusta a formação ao perfil exigido.
A oferta inclui cursos técnicos de Manutenção Industrial, Geologia e Mecânica, entre outras áreas. Actualmente, são ministrados oito cursos, enquanto está em preparação a introdução das Energias Renováveis.
Depois de investimentos em equipamentos laboratoriais, o novo curso médio de Energias Renováveis poderá arrancar no ano lectivo 2027/28, caso sejam reunidas as condições necessárias.
A aposta acompanha a transformação do sector energético e a necessidade de preparar técnicos para uma matriz cada vez mais diversificada.
A formação de quadros nacionais permanece no centro da missão do instituto. Criado como instrumento de apoio à ‘angolanização’ do sector petrolífero, o INP passou de um corpo docente inicialmente composto por expatriados para uma estrutura sem professores expatriados permanentes.
A estratégia foi recrutar jovens universitários e complementar a formação académica com experiência industrial, formação pedagógica e actualização tecnológica.
Para a formação profissional especializada, o instituto mantém uma bolsa de formadores credenciados. Entre eles estão especialistas angolanos reformados, mas com experiência acumulada na indústria.
Os especialistas estrangeiros são mobilizados sobretudo para processos específicos, como a formação de formadores e a introdução de novas tecnologias.
De Angola para a região
A estratégia do INP já ultrapassa as fronteiras nacionais. Até 2009, a instituição tinha formado 109 técnicos de países da SADC, entre os quais Lesotho, Eswatini, Zâmbia, Tanzânia, Zimbabwe, Botswana e Moçambique. A cooperação foi posteriormente retomada com Moçambique e São Tomé e Príncipe.
Agora, a Namíbia surge como um dos mercados potenciais, sobretudo após as recentes descobertas de petróleo e gás no país vizinho.
Com centros no Sumbe e Luanda, o INP pretende ampliar progressivamente a sua capacidade. A visão é reafirmar a instituição como uma escola de referência não apenas em Angola, mas também na região e no continente.
Mais do que formar técnicos, a aposta procura criar uma cadeia nacional de conhecimento capaz de reduzir custos empresariais, conter a saída de divisas e posicionar Angola como fornecedor regional de competências para uma indústria energética em transformação.















