A seca prolongada continua a empurrar famílias do Cunene, Huíla e Namibe para a Namíbia, onde mulheres e crianças enfrentam graves violações dos direitos humanos: habitação precária, dificuldades no acesso à saúde, falta de documentação e risco de detenção e deportação. A situação persiste enquanto Angola executa um programa orçado em 4,2 mil milhões USD para combater os efeitos da estiagem no Sul.
Segundo a Amnistia Internacional, no relatório «Quanto mais seco fica, mais tempo tens de caminhar: O impacto da deslocação induzida pela seca nos direitos humanos de mulheres e crianças angolanas na Namíbia», a escassez de água tem comprometido os sistemas tradicionais de pastoreio e agricultura e minado a resiliência das populações. Isso leva famílias a atravessar a fronteira em busca de água, alimentos, segurança, serviços essenciais e oportunidades de trabalho.
A organização constatou que, no norte da Namíbia, muitas famílias angolanas vivem em abrigos improvisados, construídos com ramos, plástico e cartão, em condições de sobrelotação ou, em alguns casos, sem qualquer abrigo.
O acesso à saúde é também afectado pela situação migratória. O relatório refere que angolanos indocumentados enfrentam, por vezes, taxas hospitalares mais elevadas do que os cidadãos namibianos. Muitos adiam tratamentos até a doença se agravar e evitam as unidades de saúde por receio de serem identificados pelas autoridades de imigração.
“Só vamos quando a dor é insuportável; caso contrário, limitamo-nos a deitar-nos e esperar”, afirmou uma angolana entrevistada pela organização.
Leia este artigo na íntegra na edição 265 da revista Economia & Mercado, referente ao mês de Outubro, disponível nas bancas.















