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TAAG gera prejuízos de 132,9 mil milhões Kz em 2025

Fernando Baxi
7/9/2026
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Foto:
DR

Auditor ficou impossibilitado de validar o saldo inicial, por isso não conseguiu determinar se seriam necessários ajustamentos a algumas rubricas das demonstrações financeiras de 2025.

A TAAG encerrou 2025 com um buraco patrimonial de 180,7 mil milhões de Kwanzas e prejuízos de 132,9 mil milhões Kz, num exercício cujo auditor emitiu opinião com reservas às demonstrações financeiras da companhia aérea.

Os números (demonstra o relatório de gestão do ano passado) colocam a companhia aérea de bandeira numa situação de falência técnica em termos contabilísticos e levantam novos sinais de alerta sobre a solidez financeira, assim como a capacidade de recuperação.

O desempenho coloca a TAAG, Linha Aéreas de Angola, numa situação de fragilidade patrimonial, visto que o passivo supera o activo. Do ponto de vista económico e contabilístico, a companhia está em falência técnica. 

As demonstrações financeiras (cujo activo se cifrou em pelo menos um bilião Kz) foram alvos de reservas por parte do auditor independente (KPMG), apesar de considerar que as contas apresentam adequadamente a posição financeira, o desempenho e os fluxos de caixa daquela companhia.

A KPMG (aflora o relatório de gestão) levantou dúvidas sobre determinados elementos contabilísticos. A principal está relacionada com as existências. De acordo com relatório do auditor, já no exercício de 2024 tinham sido identificadas divergências (tidas significativas) entre as quantidades registadas contabilisticamente e as verificadas no plano físico.

O auditor do relatório de gestão da TAAG (referente ao exercício de 2025) também constatou diferença entre os valores unitários constantes das listagens e os valores que resultaram da aplicação do método de valorização adoptado pela respectiva empresa.

Segundo o documento que serviu de base para a E&M, a KPMG não conseguiu obter (quanto a 2024) informação detalhada para suportar o montante de existências em trânsito incluído nas demonstrações financeiras.            

O documento espelha que o auditor ficou impossibilitado de validar o saldo inicial, por isso não conseguiu determinar se seriam necessários ajustamentos a algumas rubricas das demonstrações financeiras de 2025, nomeadamente os resultados transitados, custo das mercadorias vendidas e das matérias-primas, subsidiárias consumidas e aos resultados não operacionais. 

De acordo ainda com o parecer do auditor, integrado no relatório de gestão de 2025, o quadro operacional apresentado pela companhia de bandeira é agravado pelo resultado líquido negativo de 132,9 mil milhões Kz.     

O prejuízo, como se pôde depreender do parecer da KPMG,  representa uma deterioração significativa da posição financeira caso não seja compensado por medidas de recuperação, reforço de capital, financiamento ou melhoria dos resultados operacionais.

O capital próprio negativo, esclareceu, constitui um dos indicadores mais relevantes para avaliar a saúde financeira da empresa, significando que no final do exercício os activos contabilizados eram insuficientes para cobrir a totalidade das obrigações reconhecidas no balanço.