Angola explora apenas 17% dos 35 milhões de hectares de terras aráveis disponíveis, revelou Anderson Jerónimo, Director do Gabinete de Estudos, Planeamento e Estatística (GEPE) do Ministério da Agricultura e Florestas (MINAGRIF), enfatizando a vasta oportunidade de negócio que o sector apresenta bem como o potencial de crescimento da actividade.
Para os fornecedores de serviços ao sector a boa notícia avançada pelo responsável do GEPE é que da área cultivada apenas 2% é irrigada, evidenciando uma vasta carência do serviço e uma oportunidade de negócio para cobrir os 98% de área cultivada.
A informação foi avançada durante a VII Conferência E&M sobre Agricultura, realizada em Benguela, sob o tema “O Papel dos Transportes e Logística no Desenvolvimento do Sector Agro-Industrial”. Vários players do sector levantaram preocupações, além de apontarem caminhos para o futuro do agro.
Na ocasião, o MINAGRIF apresentou o retrato do agro no País, indicando as linhas de força e programas sectoriais para a produção agro-pecuária, exploração e gestão sustentável de recursos florestais.
Destacou o domínio da agricultura familiar, que responde por 91% da área cultivada e 82% da produção, razão pela qual o apoio a este segmento deve ser contínuo e modernizado para que o sector mantenha a tendência de crescimento observada nas últimas campanhas.
“Temos cerca de 3 milhões de famílias, em registo, e cerca de 5.800 empresas. Mas a funcionar, o que vamos vendo, se falamos de 400/500 já estamos a ser optimistas”, revela.
Referindo-se aos resultados da campanha agrícola 2023/2024, Anderson Jerónimo diz estar-se a cerca de 6 milhões de hectares de área semeada, com uma colheita de cerca de 5 milhões de hectares, que representa crescimento de cerca de 6% em relação ao ano anterior.
“Temos as fileiras dos cereais com cerca de 3,5 milhões de toneladas, raiz e tubérculo com 14 milhões e 500 toneladas, leguminosas com 660 mil, fruteiras com 6 milhões e as hortícolas com 2 milhões e 300”, acrescenta.
Dividindo a produção a nível regional, refere que 80% dos cereais são produzidos pelo centro do País, em províncias como Huambo, Bié, Cuanza Sul, Benguela, uma parte substancial de Malanje e depois o sul e o norte.
Quanto à raiz de tubérculo, refere que o norte lidera com 66%, seguido pelo centro e depois pela parte mais sul. Na leguminosa, o centro volta a liderar com 64%.
Nas hortícolas, os resultados listados no documento do MINAGRIF mostram um equilíbrio, embora o centro (com 50%) apresenta percentagem ligeiramente acima da região norte (com 41%).
A nível do café, Anderson Jerónimo fala de uma produção comercial de 7.500 toneladas, que representa crescimento de 20% em relação ao ano anterior.
“O Ministério vai fazendo o seu trabalho a nível do fomento de produção do café. De 2023 a 2024, começámos com um milhão de mudas a serem fomentadas.
Hoje, em 2024, conseguimos fazer um fomento de 5,7 milhões de mudas, sendo que o nosso objectivo é chegar anualmente a cerca de 20 milhões de mudas”, acrescenta Anderson Jerónimo.
Quanto às sementes, os dados consultados indicam que na época 2023/2024 foram produzidas 4 mil toneladas nacionalmente, número inferior às 6 mil importadas, que em dinheiro representou cerca de 16 milhões de dólares, sendo dado até Outubro.
“Os dados mais actuais dizem que chegamos a volta de 20 milhões de dólares”, acrescenta Anderson Jerónimo, explicando que, quanto à participação no PIB, a contribuição do sector representou 4,3% em 2024, a maior do intervalo 2018-2024.