A Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) apresentou esta terça-feira, 1 de Abril, os resultados do exercício de 2024, ano marcado pela consolidação da sua trajectória de crescimento, bem como pela histórica admissão à negociação em Bolsa.
Segundo nota consultada pela Economia & Mercado, a concretização da Oferta Pública de Venda evidenciou a confiança dos investidores, com um rácio de procura de 778,9% ao preço máximo de Kz 13.259, reforçando a credibilidade e solidez da empresa e do mercado que gere.
Entretanto, no documento lê-se que a conjuntura macroeconómica adversa, marcada por alterações na estratégia de gestão da dívida pública e pela adaptação ao novo modelo de intermediação, influenciou o volume de negociação e os indicadores financeiros da BODIVA.
“O volume de negócios atingiu os Kz 5.102 milhões, representando uma redução de 27% face ao período homólogo”, lê-se no comunicado assinado pelo departamento de comunicação da BODIVA.
O EBITDA, por exemplo, registou uma descida de 49%, fixando-se nos 27%. O activo líquido totalizou Kz 9.749 milhões, uma redução de 3% em relação ao ano anterior, enquanto o resultado líquido se situou nos Kz 1.333 milhões, menos 57% que em 2023.
“Estes resultados reflectem não apenas a dinâmica do mercado, mas também os desafios impostos pelo contexto económico e financeiro, que condicionaram o comportamento dos investidores e a liquidez do mercado”, reforça a instituição.
Equilíbrio entre crescimento e retorno aos accionistas
De acordo com o documento que citamos, a política de dividendos da BODIVA equilibra o retorno aos accionistas com a necessidade de reinvestimento estratégico, especialmente em fases de crescimento e transformação institucional.
No exercício de 2024, “ainda que tenha sido o ano com o menor valor absoluto distribuído em dividendos”, a decisão decorre directamente do contexto excepcional que marcou o período: a entrada da BODIVA em bolsa.
Perante um resultado líquido individual de Kz 1.332.933.713, como descreve o comunicado da BODIVA, os accionistas aprovaram a seguinte aplicação: 27% para reservas legais, reforçando a solidez e a sustentabilidade financeira da instituição; 29% para resultados transitados, destinados a financiar projectos estratégicos de desenvolvimento e consolidação da BODIVA enquanto entidade cotada; e 44% para dividendos, reflectindo o compromisso contínuo com a remuneração dos accionistas.
“A retenção parcial dos lucros não só garante os recursos necessários para o reforço da capacidade técnica, operacional e estratégica da BODIVA, como também sustenta a sua evolução num momento determinante para a consolidação do mercado de capitais angolano”, lê-se.