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BRICS afastam criação de moeda única e priorizam integração de sistemas de pagamento

Adnardo Barros
19/9/2026
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Foto:
Arquivo e DR

O Secretário de Relações Económicas indiano, Sudhakar Dalela, destacou que o foco incide sobre acordos comerciais bilaterais em moedas nacionais, de modo a reduzir custos de transacção.

O bloco BRICS afastou a possibilidade de criar uma moeda única contra a hegemonia do dólar americano e redireccionou a estratégia para a integração dos sistemas de pagamento transfronteiriços entre os países membros e para o reforço das transacções em divisas locais. 

Em vez de introduzir uma nova moeda que exigiria consensos entre economias diversas, a prioridade passa pelo fortalecimento de redes que permitam a liquidação directa de operações comerciais sem a intermediação da divisa norte-americana.

Na 18ª Cúpula do BRICS, realizada em Nova Délhi, a Índia confirmou a ausência de qualquer proposta formal para uma moeda comum no grupo expandido. O Secretário de Relações Económicas indiano, Sudhakar Dalela, destacou que o foco incide sobre acordos comerciais bilaterais em moedas nacionais, de modo a reduzir custos de transacção e simplificar pagamentos transfronteiriços.

A Declaração de Nova Délhi reflectiu este posicionamento ao evitar o endosso a uma divisa partilhada e ao focar no desenvolvimento de mecanismos de liquidação mais eficientes para comércio e investimentos. Segundo informou a agência Reuters, a cúpula deu destaque ao uso de moedas digitais dos bancos centrais, embora persitam divergências sobre a arquitectura final da rede de pagamentos. 

Para o continente africano, a orientação ganha relevância devido à presença de membros como África do Sul, Egipto e Etiópia no bloco. Durante os trabalhos da cúpula, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, defendeu o reforço das plataformas de pagamento e o alargamento do uso de moedas locais, alinhando-se à meta de maior interoperabilidade das infraestruturas financeiras e das moedas digitais dos bancos centrais.