O bloco BRICS afastou a possibilidade de criar uma moeda única contra a hegemonia do dólar americano e redireccionou a estratégia para a integração dos sistemas de pagamento transfronteiriços entre os países membros e para o reforço das transacções em divisas locais.
Em vez de introduzir uma nova moeda que exigiria consensos entre economias diversas, a prioridade passa pelo fortalecimento de redes que permitam a liquidação directa de operações comerciais sem a intermediação da divisa norte-americana.
Na 18ª Cúpula do BRICS, realizada em Nova Délhi, a Índia confirmou a ausência de qualquer proposta formal para uma moeda comum no grupo expandido. O Secretário de Relações Económicas indiano, Sudhakar Dalela, destacou que o foco incide sobre acordos comerciais bilaterais em moedas nacionais, de modo a reduzir custos de transacção e simplificar pagamentos transfronteiriços.
A Declaração de Nova Délhi reflectiu este posicionamento ao evitar o endosso a uma divisa partilhada e ao focar no desenvolvimento de mecanismos de liquidação mais eficientes para comércio e investimentos. Segundo informou a agência Reuters, a cúpula deu destaque ao uso de moedas digitais dos bancos centrais, embora persitam divergências sobre a arquitectura final da rede de pagamentos.
Para o continente africano, a orientação ganha relevância devido à presença de membros como África do Sul, Egipto e Etiópia no bloco. Durante os trabalhos da cúpula, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, defendeu o reforço das plataformas de pagamento e o alargamento do uso de moedas locais, alinhando-se à meta de maior interoperabilidade das infraestruturas financeiras e das moedas digitais dos bancos centrais.












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