Prestes a fechar as portas da sua 15.ª edição, a Feira Internacional de Benguela fica registada na lente da revista Economia & Mercado. Damos-lhe a conhecer, em imagens, os momentos e os rostos que marcaram o evento.
Sob o céu de um azul quase magnético que abraça o litoral sul de Angola, a cidade das Acácias Rubras celebra os seus 409 anos de história vestida de futuro. O Estádio Nacional de Ombaka, habituado ao clamor apaixonado das bancadas, despiu-se temporariamente do futebol para se converter na catedral económica do País. É aqui que bate, ao ritmo de ambições continentais, a 15.ª edição da Feira Internacional de Benguela (FIB 2026). Não se trata apenas de uma feira de amostras; é um espelho dinâmico e fervilhante de uma Angola que tenta, com as próprias mãos, reescrever o seu destino produtivo.

A geometria do recinto: quatro quadrantes de uma nova economia
Ao cruzar os pórticos de Ombaka, a azáfama engole o visitante. A organização desenhou o espaço como uma coreografia perfeita, dividindo o relvado e as áreas circundantes em quatro blocos estratégicos que funcionam como os novos pontos cardeais do desenvolvimento nacional.
O bloco da terra e do mar (o útero da produção)
No primeiro grande quadrante, o cheiro a terra húmida cruza-se com a brisa salgada. O agronegócio e a indústria alimentar ocupam o centro do palco. Há sacos de sementes seleccionadas, sistemas de rega gota-a-gota que prometem milagres no interior árido e cooperativas locais que exibem orgulhosamente hortícolas e frutas de um vigor impressionante. Ao lado, as pescas — a alma azul de Benguela — mostram as suas garras industriais com novas soluções de conservas e logística de frio. Ouvir os produtores é escutar um hino à soberania e segurança alimentar.

O bloco da energia e dos recursos (a força invisível)
No segundo bloco, o metal e a engenharia ditam as regras. Gigantes industriais expõem soluções que tentam o equilíbrio perfeito: a exploração robusta de petróleo e gás convive, lado a lado, com a transição para energias limpas e novas soluções de sustentabilidade. A tecnologia de ponta, como a trazida pela Bosch Angola, atrai os olhares de engenheiros e investidores que procuram optimizar a extracção mineira do subsolo angolano.

O bloco dos serviços e finanças (as veias do capital)
O terceiro quadrante é o reino dos fatos feitos à medida e dos ecrãs tácteis. Os pavilhões bancários do BFA e do BPC transformaram-se em verdadeiras agências de proximidade, onde o som dos teclados se mistura com o murmúrio de negociações de créditos agrícolas e linhas de apoio às PMEs. É também aqui que consultoras de propriedade intelectual, como a Inventa, ajudam a desenhar as armaduras jurídicas para que as ideias angolanas cruzem fronteiras sem medo de serem copiadas.
O Bloco do Futuro e Logística (o corredor da esperança)
O último bloco pulsa com a energia do Corredor do Lobito. Maquetes dinâmicas mostram comboios a rasgar o continente até à República Democrática do Congo e à Zâmbia. Mas a verdadeira joia deste espaço é o Projecto Raízes Benguela. Ali, 10 startups locais operam em pequenos stands modulares. Há jovens de calças de ganga e computadores portáteis a explicar a investidores estrangeiros como uma aplicação móvel pode conectar o camponês da Huíla directamente ao mercado de Benguela. É a tecnologia com sotaque local.

O Corredor do Lobito: o sonho de ferro que une continentes
Se a FIB tem um coração político e estratégico neste ano, ele chama-se Corredor do Lobito. Na abertura do certame, o Governador Provincial, Manuel Nunes Júnior, foi perentório: a infraestrutura ferroviária e portuária não pode ser apenas um corredor de passagem; tem de ser um íman de indústrias e criação de valor.

O que se vê nos pavilhões é a resposta do empresariado a este desafio. Delegações da Namíbia, República Democrática do Congo, Botswana e Portugal caminham pelos mesmos corredores, desenhando alianças logísticas. A feira tornou-se o ponto de encontro onde a rota do cobre centro-africana encontra as rotas marítimas do Atlântico.
A Atmosfera humana: o ritmo por detrás dos negócios
Para lá dos números e dos contratos, a FIB 2026 vive das suas gentes. O ambiente é uma tapeçaria rica.

O contraste visual verifica-se no formalismo dos investidores internacionais que contrasta com as cores vivas dos trajes tradicionais de algumas cooperativas agrícolas regionais.
A acústica da feira está no zumbido constante das conversas de negócios, periodicamente pontuado pela música que ecoa do pavilhão ou pelo tilintar de copos na zona de restauração, onde o mufete e a cerveja gelada funcionam como os melhores lubrificantes diplomáticos.

A utilidade social verifica-se nas longas filas que se formam não para comprar, mas para exercer cidadania: o certame abriu balcões para os cidadãos emitirem Bilhetes de Identidade, cartões de eleitor e actualizarem cartões bancários. A feira serve a economia, mas também serve o homem.
Ao cair da noite, as luzes do Estádio de Ombaka iluminam as lonas brancas dos pavilhões. A meta de atingir um volume de negócios de 575 milhões de kwanzas desenha-se no horizonte. Benguela não está apenas a expor; está a afirmar-se como a placa giratória do comércio da África Austral.












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