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Incumprimento dos seguros obrigatórios e défice na literacia financeira, entre as principais causas da baixa taxa de adesão, alerta especialista

Amilton Victor
13/9/2026
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Foto:
Carlos Aguiar

Embora o volume de faturação das seguradoras tenha registado, em 2025, um crescimento nominal de mais de 580 mil milhões Kz, a taxa de penetração recuou para cerca de 0,5% do PIB.

O mercado de seguros em Angola apresenta um cenário de estagnação no que toca ao seu peso na riqueza nacional. Embora o volume de faturação das seguradoras tenha registado, em 2025, um crescimento nominal, com os prémios brutos emitidos a atingirem mais de 580 mil milhões Kz, a taxa de penetração recuou para cerca de 0,5% do PIB.

Este valor demonstra que o mercado de seguros angolano ainda é muito incipiente, ficando bastante abaixo da média africana (1,8%) e muito distante da meta oficial estabelecida pelo regulador (ARSEG), que pretende atingir os 3% do PIB até 2029.

O sector no país continua fortemente concentrado em grandes riscos corporativos, como o petróleo e gás, registando uma adesão muito baixa por parte das famílias e do retalho.

A falta de cumprimento rigoroso dos seguros obrigatórios e o défice em literacia financeira são apontados como os principais factores que contribuem, directamente, para a baixa taxa de adesão.

O diagnóstico foi apresentado, neste Sábado, 13, pelo director Comercial da BIC Seguros, durante a sua intervenção na 15.ª edição da Feira Internacional de Benguela (FIB).

Macano Kiala, ao analisar o panorama actual e as perspectivas futuras do mercado de seguros no País, sublinhou que a consolidação do sector depende, inevitavelmente, de um "esforço conjunto" entre as empresas operadoras e as instituições estatais, focando-se em duas frentes prioritárias de actuação.

A primeira aponta para a promoção da literacia seguradora, sugerindo sensibilização da população sobre os “reais” benefícios da protecção conferida pelas seguradoras, desmistificando o acesso aos serviços de seguro.

A segunda, de acordo com o especialista, está ligada ao “reforço da fiscalização estatal”. Para tal, apelou a “aplicação efectiva da legislação” em vigor, para superar a actual "timidez" no cumprimento dos seguros obrigatórios previstos por lei.