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Quatro em cada 5 empresas não têm colaboradores preparados para trabalhar com IA, revela estudo

Amilton Victor
18/9/2026
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Foto:
DR

Apesar da rápida adopção destas ferramentas, o principal desafio tem sido a capacidade das empresas adaptarem a IA aos seus modelos operacionais.

Segundo o recente estudo Transforming the Enterprise, divulgado pela consultora KPMG Angola, cerca de 4 em cada 5 empresas não têm colaboradores preparados para trabalhar com Inteligência Artificial.

A investigação revela que só 19% das organizações consideram que os seus colaboradores estão “altamente preparados” para usar IA na execução das tarefas laborais. Outras 49% relatam que os seus trabalhadores estão ligeiramente instruídos, enquanto 1/3 reconhece níveis muito reduzidos de preparação.

Apesar da rápida adopção destas ferramentas, o principal desafio tem sido a capacidade das empresas adaptarem a IA aos seus modelos operacionais.

De acordo com Carlos Borge, chefe de consultoria da KPMG Angola, as organizações que conseguirem integrar estes dois elementos poderão estar melhor posicionadas para transformar o investimento em impacto efectivo para o negócio e, assim, destacar-se da concorrência

Segundo o estudo, só 39% do rendimento das organizações é associado à inteligência artificial, num universo de 49% de empresas inquiridas. Este resultado aponta que, apesar mão-de-obra despreparada, a produção continua a ser o principal indicador para avaliar o valor gerado pela inteligência artificial, seguindo-se a redução do tempo dedicado a tarefas através da automatização, com 36%, e a diminuição dos custos operacionais, com 33%.

A tecnologia tem sido mais adoptada nas áreas de Tecnologia e Sistemas de Informação, onde chega aos 59%, seguida de Marketing e Vendas, com 43%, e Operações, com 42%. Nas áreas de Risco e Compliance, Finanças e Recursos Humanos, a utilização situa-se, respectivamente, nos 37%, 33% e 31%.

Só 24% integram proactivamente os riscos da IA na estratégia

Conforme a investigação, só 24% das organizações integram proactivamente a gestão dos riscos da inteligência artificial na estratégia de transformação empresarial. Cerca de 41% dispõem de modelos definidos e coordenados, embora ainda não estejam totalmente integrados, enquanto 25% mantêm uma resposta reactiva e organizada por áreas isoladas. Em 10% dos casos, a gestão do risco permanece descentralizada, cabendo a cada equipa ou função gerir autonomamente as suas iniciativas.

O estudo revela ainda que 57% das organizações já encaram a confiança como um diferenciador estratégico de vantagem competitiva. Contudo, só 28% relacionam directamente os mecanismos de confiança, governance e gestão do risco da inteligência artificial com resultados financeiros concretos.

Para Carlos Borges, o “valor” da inteligência artificial depende da conjugação entre dados de qualidade, modelos operacionais, competências e confiança.

O estudo global Transforming the Enterprise baseia-se num inquérito realizado em Fevereiro de 2026 a 1.750 CEOs e responsáveis pela transformação empresarial, provenientes de 20 países e territórios e de organizações com receitas anuais equivalentes a pelo menos 100 milhões de dólares.

A amostra inclui gestores de empresas privadas, organizações cotadas, entidades do sector público e organizações apoiadas por capital privado. Abrange também sectores como tecnologia e telecomunicações, serviços financeiros, consumo e retalho, saúde e ciências da vida, indústria, sector automóvel, energia, infra-estruturas e administração pública.