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AOG2026: Indonésia prepara transição de compradora de crude a operadora de blocos em Angola

Adnardo Barros
10/9/2026
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Foto:
Arquivo e DR

A Pertamina considera Angola um parceiro estratégico para reforçar a segurança energética e diversificar o abastecimento.

A Pertamina, empresa estatal da Indonésia do sector energético, projecta a entrada na operação de blocos petrolíferos no País com o objectivo de transformar a tradicional compra de ramas num investimento directo e de longo prazo no sector dos hidrocarbonetos.

A empresa considera Angola um parceiro estratégico para reforçar a segurança energética e diversificar o abastecimento, enquanto o País poderá beneficiar da tecnologia, da experiência e da capacidade de investimento da Pertamina, uma estratégia apresentada durante a sétima edição do  Angola Oil & Gas.

“Pretendemos tornar-nos operadores a montante em Angola”, afirmou o vice-presidente da Pertamina responsável pelo abastecimento de matérias-primas e produtos, Dicky Sudan Pramudianta. “Pretendemos tirar partido da Maurel & Prom, bem como das marcas da Pertamina, para estabelecer contactos com a Sonangol e com as autoridades angolanas.”

A Maurel & Prom, uma empresa de exploração de petróleo e gás na qual a Pertamina detém uma participação maioritária de 71,09%, tem uma posição consolidada no sector a montante em Angola, com participações nos Blocos 3/05 e 3/05A, onde é parceira desde 2019 e produz petróleo através das suas participações nos activos offshore maduros.

A Sonangol continua a ser a operadora de ambos os blocos, enquanto a Maurel & Prom detém também uma participação de 40% no Bloco 3/24, operado pela Afentra.

Afirmou que a Pertamina já recebe, na sua maioria, crude médio e pesado de Angola, tipos de petróleo adequados às suas refinarias. Acrescentou ainda que uma maior flexibilidade e certeza em matéria de logística poderiam tornar Angola num dos parceiros comerciais mais importantes da Indonésia no sector energético até 2030.

Uma parceria mais estreita poderia alargar-se a investimentos conjuntos entre a Pertamina e a Sonangol, com a Pertamina a trazer para Angola tecnologia e experiência operacional na área do upstream.

Dicky Pramudianta afirmou que esta cooperação poderia tornar-se “muito benéfica para ambas as partes” nos próximos cinco a dez anos, à medida que ambas as empresas procuram oportunidades a longo prazo.

O interesse da Indonésia reflecte também um esforço mais amplo para garantir o abastecimento energético, ao mesmo tempo que se expandem os laços económicos com África.O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Arif Havas Oegroseno, afirmou que a Indonésia pretende ir além de uma relação tradicional de comprador-vendedor com Angola e estabelecer parcerias assentes em investimentos a longo prazo.

“Queremos ir mais longe. Queremos estabelecer parcerias conjuntas através de investimentos a longo prazo”, afirmou, acrescentando que a Indonésia pretende servir de porta de entrada entre Angola e a Ásia.