Estima-se que África tenha um ‘gap’ de financiamento global de cerca de 100 biliões de dólares por ano, pelo que Angola “não está sozinha a competir por um capital que é escasso”, observou André Reigota, Regional Head - Infrastructure Sector do Standard Bank Group.
Ao intervir na VI Conferência E&M ‘Economia Azul’, que decorreu nesta quarta-feira, 16, em Luanda, André Reigota afirmou que o capital para financiamento existe, mas está disponível às instituições capazes de ser “eficientes e ágeis” na apresentação e estruturação de projectos.
Descreveu três vectores para que se consiga chegar à frente na corrida por este capital: “Se existe uma necessidade económica real do projecto; se os riscos associados ao projecto estão devidamente identificados e distribuídos e se existe uma estrutura financeira capaz de suportar o projecto ao longo do prazo dos anos”.
Para o caso de Angola, o Regional Head - Infrastructure Sector do Standard Bank Group considerou que talvez, hoje, Angola tenha já grande parte da infra-estrutura de base construída, especialmente no sector dos transportes.
“As concessões que têm sido lançadas e consumadas têm sido um bom exemplo daquilo que é possível fazer. Muitas dessas concessões recorreram ao financiamento e, obviamente, tiveram que cumprir estes três pilares de base. Depois, há também questões como a qualidade económica do próprio projecto; se existe procura pelo projecto, quem é que vão ser os utilizadores, quem é que vai pagar o projecto?” indagou.
André Reigota salientou que, no rol de condições favoráveis a financiamento, a previsibilidade daquilo que vai acontecer no futuro – no curto, médio e longo prazos –, é, igualmente, fundamental, observando que “a banca lida bem com riscos, mas lida mal com a incerteza”, por isso “a previsibilidade é fundamental”, reforçou.
“E depois, obviamente, a distribuição dos riscos que o próprio projeto integra. A construção, a operação, a procura, a taxa cambial, a sensibilidade a temas relacionados com a inflação, tudo isso são temas que são tidos em linha de consideração”, disse o painelista do subtema ‘Portos e Corredores Logísticos: Infra-estrutura para Impulsionar a indústria e o Comércio Marítimo.
Reiterou que, para atrair o capital à disposição em África, é preciso desenvolver projectos de qualidade, que, para além de cumprirem critérios acima mencionados, tenham promotores que sejam financeiramente estáveis e que sejam capazes de assumir a porção do risco que as entidades financiadoras não são capazes de fazer.
“Se estivermos a falar de bancos comerciais, de bancos de desenvolvimento, de agências de crédito à exportação, a componente da importância do promotor é fundamental. Acho que, a par da qualidade na estruturação do projecto, a competência e a qualidade do promotor é algo em que devemos focar-nos”, realçou.















