A conferência Angola Oil & Gas 2026 (AOG 2026), que decorre entre 9 e 10 de Setembro, está a reforçar a aproximação entre empresas francesas e o mercado angolano, num momento em que Angola procura atrair novos investimentos para o sector de petróleo e gás e diversificar a economia.
Cerca de dez empresas francesas participam como expositoras no evento, enquanto uma delegação estimada entre 50 e 60 representantes provenientes de França é esperada na conferência. A informação foi avançada à E&M pelo director-geral da Câmara de Comércio França-Angola (CCFA), Emídio Fragoso, à margem de um encontro empresarial realizado nesta terça-feira, 8, pela CCFA, que antecedeu a AOG 2026.
De acordo com o responsável, o interesse francês concentra-se sobretudo no petróleo e gás, sector em que a França representa cerca de metade do investimento estrangeiro privado em Angola. A presença francesa inclui grandes multinacionais, como a TotalEnergies, e uma rede de empresas especializadas na prestação de serviços à indústria petrolífera.
“A França, hoje, investe igualmente em energia, que é um sector prioritário por questões de sustentabilidade, mas há muito interesse das empresas francesas em continuarem a investir no sector de oil & gas em Angola”, afirma.
Apesar do peso do petróleo e gás, Emídio Fragoso destaca que os interesses franceses no mercado angolano têm vindo a diversificar-se para áreas com destaque para a transição energética e sustentabilidade, transportes e logística, educação e o agronegócio.
Entre os exemplos da expansão dos investimentos franceses em Angola, o director-geral da CCFA cita a concessão por 20 anos do Porto do Lobito à empresa francesa AGL, no âmbito do projecto do Corredor do Lobito. No plano do desenvolvimento social e comunitário, Emídio Fragoso destaca o projecto Prospera, um fundo da União Europeia avaliado em 52 milhões de euros, destinado a financiar projectos de educação em três províncias abrangidas pelo Corredor do Lobito: Luanda, Benguela e Huambo.
“Temos a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) que tem investido especificamente em projectos de agricultura e educação”, acrescenta.
A CCFA garante que há um interesse crescente de empresas francesas em entrar no mercado angolano. Para Emíido Fragoso, a estabilidade política e de segurança e a abertura do Governo ao diálogo com o sector privado são factores que favorecem a entrada de novos investidores.
O responsável considera ainda que as medidas implementadas pelos Ministérios da Economia e Planeamento e das Finanças, com o apoio de instituições como o Banco Mundial, têm contribuído para criar condições para o investimento estrangeiro.
A Câmara de Comércio França-Angola conta actualmente com cerca de 120 empresas associadas, entre empresas francesas e angolanas.















