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Economia azul: Angola perde anualmente cerca de 200 milhões USD com a pesca ilegal

Amilton Victor
16/9/2026
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Foto:
Isidoro Suka

País precisa de industrialização e nova arquitetura logística para alavancar PIB azul, sugere Head of Advisory da KPMG Angola.

O País perde, anualmente, cerca de 200 milhões de dólares norte-americanos com a pesca ilegal, agravada pela ausência de pólos industriais azuis, informou nesta quinta-feira, 16, em Luanda, Carlos Borges, Head of Advisory da KPMG Angola.

O especialista, que intervinha na VI Conferência E&M `Economia Azul´, referiu que, além do investimento do Executivo em infra-estruturas, a estratégia deve passar pela “criação de valor e transformação da visão em acções concretas”.

Para tal, sugeriu a reconfiguração das infra-estruturas portuárias, como a de Luanda, Barra do Dande, Caio e Namibe, através do conceito de Port Enablement. De acordo com o especialista, estas infra-estruturas, em vez de funcionarem “como meros entrepostos” de trânsito comercial, deviam se tornar “polos industriais azuis” e centros de certificação sanitária e de qualidade.

“Isto permitiria viabilizar exportações directas de alto valor, para mercados internacionais e mitigar as perdas anuais estimadas em 200 milhões USD, causadas pela pesca ilegal”, afirmou.

No domínio da conectividade e do comércio transfronteiriço, Carlos Borges sugeriu olhar para o Corredor do Lobito como um “Corredor Azul” logístico. Segundo o especialista, esta integração logística, deverá contribuir para a redução das perdas pós-colheita no sector pesqueiro, que chegam aos 30% no continente africano.

Do ponto de vista da sustentabilidade fiscal e da atracção de capital, o chefe de Consultoria da KPMG Angola apontou a adopção dos modelos Blue Bonds e Blended Finance, para transformar o mar angolano, de uma rota de trânsito para um espaço gerador de “valor acrescentado, ciência e emprego local”.

“Se nós continuarmos a ser só extractivos, vamos estar fora da conjuntura macroeconómica mundial”, afirmou, destacando que a aplicação destas medidas já permitiu encaixar cerca de 232 mil milhões de Kwanzas mobilizados pelo Executivo angolano.

Mas, acrescentou, para financiar este ecossistema “sem inflacionar a dívida pública”, devem-se adoptar modelos de “Governança Oceânica Integrada”,  que antecipem as parcerias público-privadas e garantam a integração de PMEs nacionais, o planeamento espacial marítimo e a soberania sobre os dados oceanográficos.

Carlos Borges sugeriu, também, o investimento em novas cadeias de valor resultantes do cruzamento entre a economia azul e o agro-negócio, nomeadamente a produção de biofertilizantes a partir de subprodutos da pesca e algas, o fomento da maricultura de alto rendimento e o desenvolvimento da energia azul renovável.

Estes sectores têm a capacidade combinada de gerar cerca de 2,3 mil milhões USD até 2063, segundo a agenda da União Africana que visa transformar o continente numa potência global.